Economia

Banco Central projeta que a inflação permanecerá acima do teto da meta até o fim do ano

25 de Junho de 2026 às 09:03

O Banco Central projeta inflação de 4,8% em outubro e 5,2% ao final de 2026, superando o teto de 4,5% do sistema de metas. Devido ao descumprimento do índice por seis meses, a autoridade monetária enviará carta aberta ao ministro da Fazenda em novembro

O Banco Central projeta que a inflação acumulada em doze meses permanecerá acima do teto do sistema de metas até o encerramento deste ano. No Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (25), a autoridade monetária estimou que o índice chegará a 4,8% em outubro e atingirá 5,2% ao final de 2026. Para 2027, a previsão foi revisada de 3,3% para 4%.

Atualmente, a inflação oficial registrada pelo IBGE soma 4,72% no acumulado de doze meses até maio, superando o limite superior de 4,5% estabelecido pelo sistema de meta contínua, adotado desde o início de 2025. Esse modelo define o objetivo de 3%, com margem de tolerância entre 1,50% e 4,50%.

Devido à permanência do indicador acima do teto, o Banco Central prevê a redação de uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, em novembro. O documento é obrigatório por lei sempre que a meta de inflação é descumprida por seis meses consecutivos, condição que deve ser atingida em outubro.

A pressão nos preços é atribuída ao conflito no Oriente Médio, que elevou o custo do petróleo para patamares próximos a US$ 100 por barril nos últimos meses, impactando os combustíveis no Brasil. Recentemente, após um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, a commodity recuou para US$ 75 por barril nesta quinta-feira (25). Para mitigar esses efeitos, o governo implementou subsídios a combustíveis e a redução de tributos.

O cenário levou o mercado financeiro a elevar a estimativa de inflação para 5,33% na semana passada, além de prever cortes de juros menos agressivos ao longo de 2026. O aumento generalizado dos preços reduz o poder de compra da população, com impacto mais severo nas faixas de renda mais baixas, cujos salários não acompanham a alta dos custos.

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