Economia

Banco do Brasil reduz projeção de lucro para 2026 após queda no resultado do primeiro trimestre

14 de Maio de 2026 às 06:03

O Banco do Brasil teve lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 54% em um ano. O resultado levou à revisão da projeção de lucro anual para entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. A provisão para perdas subiu 46%, atingindo R$ 16,8 bilhões

Banco do Brasil reduz projeção de lucro para 2026 após queda no resultado do primeiro trimestre
© MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

O Banco do Brasil registrou um lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o que representa uma retração de 54% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado reflete a deterioração dos indicadores no agronegócio, levando a instituição a revisar a projeção de lucro para todo o ano de 2026, agora estimada entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões, contra a previsão anterior de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões.

A rentabilidade da instituição, medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), caiu para 7,3%, recuo de 9,4 pontos percentuais em 12 meses e queda em relação aos 12,4% registrados no último trimestre de 2025. Paralelamente, a provisão para perdas — reserva destinada a cobrir eventuais calotes — saltou 46% em um ano, atingindo R$ 16,8 bilhões.

O movimento é impulsionado pela inadimplência no crédito rural, que chegou a 6,22% da carteira do setor, um aumento de 3,5 pontos percentuais em doze meses. A inadimplência geral do banco situou-se em 5,05%. O cenário no campo é crítico desde a quebra da safra de soja em 2024, após a produção recorde de 2023, o que elevou o número de recuperações judiciais de produtores rurais entre 2024 e 2025.

Para mitigar os impactos, o banco intensificou ações judiciais, ampliou a exigência de garantias e implementou o programa BB Regulariza Dívidas Agro. Essa iniciativa de renegociação resultou na repactuação de 73 mil operações, abrangendo 25,5 mil produtores e totalizando R$ 37,9 bilhões renegociados.

Apesar da crise no agro, a carteira total de crédito do Banco do Brasil cresceu 2,2% em um ano, somando R$ 1,3 trilhão, com destaque para a expansão do crédito consignado para pessoas físicas. A carteira do agronegócio totaliza R$ 418,4 bilhões. Ao final do trimestre, os ativos totais da instituição foram de R$ 2,6 trilhões e o patrimônio líquido atingiu R$ 194,9 bilhões.

A revisão das metas financeiras para 2026 fundamenta-se no agravamento do risco no setor agropecuário, além de incertezas geopolíticas, impactos econômicos e a piora nos indicadores macroeconômicos.

Com informações de Agência Brasil

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