Banco do Japão mantém taxa básica de juros em 1% ao ano
O Banco do Japão manteve a taxa básica de juros em 1% ao ano. O país apresenta crescimento médio de 1% anual há três décadas e dívida pública projetada acima de 200% do PIB para 2026. O desemprego foi de 2,5% em abril e o investimento em pesquisa e desenvolvimento somou US$ 145 bilhões em 2023
O Japão, quarta maior economia do mundo, mantém a taxa básica de juros em 1% ao ano após o Banco do Japão abandonar a política de juros negativos, impulsionado por uma inflação que voltou a se aproximar da meta da autoridade monetária. Apesar desse movimento, o país registra um crescimento médio de apenas 1% ao ano há cerca de três décadas, cenário que, somado à inflação persistentemente baixa e à dificuldade de recuperar o dinamismo, define o conceito econômico de "Japanificação".
O atual quadro é reflexo de um processo iniciado entre meados da década de 1980 e o início dos anos 1990, com o estouro das bolhas imobiliária e do mercado de ações. Esse período desencadeou um ciclo de baixo crescimento e deflação, agravado por fatores demográficos: a redução da população em idade ativa, a baixa taxa de natalidade — próxima de 1,2 filho por mulher — e o envelhecimento acelerado da população. A OCDE estima que, em 2026, quase 30% dos japoneses terão mais de 65 anos.
Essas pressões demográficas impactam diretamente as contas públicas e o mercado de trabalho. O FMI projeta que a dívida pública japonesa permanecerá acima de 200% do PIB em 2026, uma das maiores proporções globais, resultado da opção governamental de financiar despesas com saúde e aposentadorias via emissão de dívida, em vez de ajustes fiscais ou aumento de impostos. No mercado de trabalho, o setor de serviços, que representa 70% do valor agregado da economia, enfrenta dificuldades de contratação, elevando a presença de profissionais com mais de 60 anos em áreas como construção e serviços.
Paralelamente a esses desafios, o Japão preserva indicadores de alta performance. O país detém uma das menores taxas de desemprego do mundo, atingindo 2,5% em abril, e possui um PIB per capita estimado em US$ 35,7 mil, segundo o FMI. A liderança no Índice de Complexidade Econômica, mantida desde 1981, reflete a capacidade de produzir bens de alto valor agregado.
A sofisticação industrial é corroborada pelo Global Innovation Index 2025, da WIPO, que posiciona o país no 12º lugar global, com destaque para a cooperação entre empresas e universidades. Em 2023, o investimento em pesquisa e desenvolvimento somou US$ 145 bilhões, equivalentes a 3,44% do PIB.
Essa disparidade entre a inovação tecnológica e o crescimento modesto é atribuída a diferenças de produtividade setorial. Enquanto a indústria manufatureira evoluiu com a modernização da produção, os serviços voltados ao mercado interno, como hotelaria, comércio e saúde, apresentaram evolução lenta devido à demora na adoção de modelos de gestão eficientes. Como estratégia de adaptação ao mercado doméstico encolhido, empresas japonesas expandiram investimentos no exterior, focando em dividendos de subsidiárias internacionais e receitas de propriedade intelectual.