BNDES prevê investimentos de até R$ 430 bilhões para expandir o transporte público no Brasil
O BNDES apresentou o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, que prevê investimentos entre R$ 400 bilhões e R$ 430 bilhões em 187 projetos para 21 regiões metropolitanas. O plano visa adicionar mais de 3 mil quilômetros à malha de transporte em 15 anos, com financiamento composto por 80% de recursos públicos e 20% da iniciativa privada

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou, nesta quarta-feira (1º), o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), que prevê investimentos entre R$ 400 bilhões e R$ 430 bilhões para a expansão do transporte público. O plano consiste em 187 projetos estruturantes destinados às 21 regiões metropolitanas mais populosas do Brasil, com a meta de adicionar mais de 3 mil quilômetros à malha de transporte.
A viabilização financeira dessas obras será composta por 80% de recursos públicos e 20% via parcerias com a iniciativa privada. Para o custeio, o BNDES poderá utilizar o Fundo Clima, linha de crédito voltada à adaptação climática e redução de gases de efeito estufa. Atualmente, os aportes em mobilidade urbana representam 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), patamar que pode subir para 0,25%, o que equivaleria a R$ 20 bilhões anuais.
O escopo técnico abrange a expansão de metrôs, trens urbanos, corredores de transporte, VLT e BRT, priorizando a integração tarifária e a bilhetagem única. Um exemplo concreto é a expansão da rede de transporte de Belo Horizonte (MG), projeto já contratado com o BNDES, que prevê elevar a malha atual de 84,2 km para 314,1 km, demandando R$ 35,6 bilhões para a implementação dos 229,9 km adicionais.
A estimativa é que a execução total dos 187 projetos ocorra em 15 anos. Os impactos operacionais incluem a redução de 11% no custo por viagem e a diminuição de 15% no tempo de deslocamento dos usuários, além do aumento no volume de embarques diários. No campo socioambiental, a meta é evitar a emissão de 3 milhões de toneladas de CO₂ anualmente, ampliar a acessibilidade em 30% e reduzir em mais de 27 mil o número de vítimas anuais em sinistros de trânsito.
Durante a fase de implantação, a demanda prevê a aquisição de 6,6 mil ônibus elétricos, 2,4 mil carros metroferroviários e 600 composições de VLT, gerando mais de 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos por ano.
O estudo servirá como guia para as políticas de transporte do governo federal, via Ministério das Cidades, e para a gestão de prefeitos e governadores. As regiões contempladas incluem o Distrito Federal e as cidades de Belém, Belo Horizonte, Campinas, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Santos, São Luís, São Paulo, Teresina e Vitória.
A iniciativa busca romper a defasagem entre a receita disponível e a necessidade de investimentos no setor, focando em soluções que integrem viabilidade econômica, segurança e conforto ao usuário.