Boletim Focus indica segunda queda consecutiva na projeção do IPCA para 2026
O boletim Focus do Banco Central reduziu a projeção do IPCA para 2026 para 5,16%. A estimativa da Taxa Selic para o mesmo ano manteve-se em 14%, enquanto o dólar deve fechar o período a R$ 5,20

A projeção para o IPCA em 2026 recuou para 5,16%, conforme o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central. Este é o segundo declínio consecutivo da expectativa de inflação para aquele ano, que na semana anterior estava fixada em 5,30%.
Juros e Câmbio
A estimativa para a Taxa Selic em 2026 permaneceu em 14% pela terceira semana seguida. Atualmente, a taxa básica de juros está em 14,25%, patamar definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em 17 de junho, o que indica a possibilidade de ao menos um corte nos juros até o encerramento do ano. A próxima reunião do Copom ocorrerá nos dias 4 e 5 de agosto.
Para os anos seguintes, as projeções da Selic mantiveram-se estáveis em 12% para 2027 e 10,5% para 2028. Historicamente, a taxa atingiu 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, o nível mais alto desde julho de 2006 (quando chegou a 15,25%), após sete elevações sucessivas entre setembro de 2024 e junho de 2025.
No mercado cambial, a previsão é que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,20, com projeções de alta para 2027 (R$ 5,28) e 2028 (R$ 5,34). O PIB também apresentou estabilidade nas projeções para 2026.
Indicadores de Inflação
O IPCA de junho registrou 0,16%, o menor índice desde outubro de 2025 e a quarta queda consecutiva na força da inflação, vindo de um resultado de 0,58% em maio. O recuo nos preços dos alimentos, ocorrido pela primeira vez desde novembro de 2025, contribuiu para esse desempenho. No acumulado de 12 meses, o IPCA soma 4,64%, valor inferior aos 4,72% de maio, embora ainda supere a meta governamental de 4,5%. Em junho de 2025, o índice era de 0,24%.
Paralelamente, o INPC — que monitora famílias com renda de um a cinco salários mínimos (considerando o mínimo atual de R$ 1.621) — fechou junho com 0,14%, acumulando 4,33% em um ano. O índice é utilizado como referência para reajustes salariais. Já o IPCA abrange lares com renda entre um e 40 salários mínimos.
Dinâmica Monetária
A gestão da Selic pelo Copom impacta diretamente a economia: a redução dos juros tende a baratear o crédito e estimular a produção e o consumo, embora possa fragilizar o controle inflacionário. Inversamente, a elevação da taxa encarece o crédito e prioriza a aplicação de recursos em renda fixa ou poupança, dificultando a expansão econômica ao conter a demanda.
Vale ressaltar que as instituições financeiras definem os juros cobrados de clientes com base em outros fatores adicionais, como despesas administrativas, margem de lucro e risco de inadimplência.