Bolsa brasileira atinge o patamar mais baixo desde janeiro após três sessões de recuo
A bolsa brasileira atingiu o menor nível desde janeiro nesta terça-feira (19), após três quedas consecutivas. O dólar comercial subiu 0,84%, fechando a R$ 5,041. O petróleo Brent e o WTI recuaram para US$ 111,28 e US$ 104,15, respectivamente

O mercado financeiro brasileiro registrou nova queda nesta terça-feira (19), com a bolsa atingindo o patamar mais baixo desde janeiro após três sessões consecutivas de recuo. Simultaneamente, o dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,84%, cotado a R$ 5,041, tendo atingido a marca de R$ 5,06 por volta das 12h15. Apesar da valorização recente, a moeda americana apresenta queda acumulada de 8,17% no ano de 2026.
O desempenho negativo do índice acionário foi impulsionado principalmente pelo setor financeiro e por mineradoras, estas últimas impactadas pela desvalorização do minério de ferro no exterior. O cenário foi agravado pela fuga de capital estrangeiro, com a B3 registrando uma retirada líquida de aproximadamente R$ 9,6 bilhões na primeira metade de maio. No âmbito doméstico, a instabilidade política, alimentada por novas pesquisas eleitorais e a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro, ampliou a cautela dos investidores.
No câmbio, a pressão sobre o real reflete o fortalecimento global do dólar e a alta dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries). Esse movimento induz a migração de recursos de mercados emergentes para ativos americanos mais seguros. A valorização da moeda também é resultado do temor de que a inflação global se mantenha alta, influenciada pelas tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã e pelos preços do petróleo.
No mercado de commodities, o petróleo Brent fechou em US$ 111,28, com recuo de 0,73%, enquanto o WTI terminou a US$ 104,15, queda de 0,22%. Mesmo com a baixa moderada, os preços seguem elevados devido aos riscos de interrupção no Estreito de Ormuz. A instabilidade persiste após o presidente Donald Trump adiar, na segunda-feira (18), uma ofensiva militar contra o Irã para priorizar a diplomacia, embora tenha reiterado nesta terça que novas ações militares são possíveis caso não haja acordo.
O cenário externo soma-se à percepção de que o Federal Reserve manterá as taxas de juros elevadas por um período prolongado, intensificando a aversão global ao risco.