Bolsas de Nova York superam marca de preço sobre lucro registrada antes da crise de 1929
O Dow Jones superou 50 mil pontos em fevereiro e atingiu 52 mil em junho, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq também registraram recordes. O índice preço/lucro do mercado atual ultrapassou a marca de 40, superando os patamares anteriores à crise de 1929 e à bolha da internet
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O mercado de ações de Nova York apresenta indicadores que geram questionamentos entre economistas, especialmente diante da manutenção de altas recordes mesmo com instabilidades globais, como os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio e a interrupção do fluxo no estreito de Ormuz, que impactou o setor energético.
Em fevereiro, o Dow Jones, que monitora as 30 maiores companhias dos Estados Unidos, superou a marca histórica de 50 mil pontos, atingindo a casa dos 52 mil em junho. O S&P 500 também registrou um movimento atípico em Wall Street ao final de maio, com alta sustentada por nove dias consecutivos. Paralelamente, o índice Nasdaq segue batendo recordes, impulsionado pela expansão da inteligência artificial.
Esse cenário de crescimento tem levado a comparações com o período que antecedeu a crise de 1929. Naquela época, a década de 1920 foi marcada por prosperidade e pelo entusiasmo com novas tecnologias, como o rádio e os automóveis, além da entrada de investidores pessoa física no mercado. O colapso de outubro de 1929 foi severo: entre outubro e novembro, as ações caíram quase 50%. Embora o ano tenha encerrado com uma queda de 17%, o valor total do mercado recuou aproximadamente 90% entre 1929 e 1933, culminando em uma taxa de desemprego de 25% em 1932.
Um fator determinante para a magnitude daquela crise foi a alavancagem financeira. Investidores operavam com altos níveis de dívida, chegando a proporções de 10 para 1 em relação ao patrimônio líquido. Esse endividamento é apontado por Andrew Ross Sorkin como o gatilho principal para a inflação de múltiplos e o subsequente colapso do sistema.
A ausência de dados em tempo real também agravou a crise de 1929. Com atrasos de horas ou até dias nas cotações, investidores aglomeravam-se fisicamente em Wall Street para tentar descobrir o valor de seus ativos. A desincronização do sistema de informações levou muitos a liquidarem suas posições por insegurança.
Atualmente, a análise de risco passa pela observação do múltiplo preço/lucro (P/L). O pico de 1929 ocorreu quando o preço das ações atingiu 30 vezes a média dos lucros da década anterior. Esse patamar foi superado no final dos anos 1990, durante a bolha da internet, quando o índice ultrapassou 40. No momento atual, o mercado superou novamente a marca de 40, sendo a segunda vez na história que o índice atinge um nível superior ao pico anterior à quebra de 1929, o que indica a probabilidade de uma nova correção futura.