Brasil concentra importações de diesel na Rússia e nos Estados Unidos após conflitos no Oriente Médio
Brasil concentrou importações de diesel na Rússia (89,84%) e Estados Unidos (10,98%) em abril, após suspensão do fornecimento do Oriente Médio. O governo federal implementou subsídios de R$ 10 bilhões, zerou PIS/Cofins e reduziu o ICMS para mitigar preços ao consumidor

As importações brasileiras de diesel concentraram-se na Rússia e nos Estados Unidos após a suspensão do fornecimento vindo do Oriente Médio, motivada pelo fechamento do Estreito de Ormuz e a intensificação de conflitos na região em março. Dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), revelam que a compra do combustível russo mais que dobrou em dois meses. Em abril, a Rússia deteve 89,84% do total de importações, com volume de US$ 924 milhões, enquanto os Estados Unidos responderam por 10,98%, totalizando US$ 104,44 milhões. O Reino Unido registrou a menor participação, com US$ 4.264 (0,001%).
A trajetória de compras da Rússia mostra um crescimento acelerado: em fevereiro, o Brasil importou US$ 433,22 milhões; em março, o valor subiu para US$ 505,86 milhões, atingindo quase US$ 1 bilhão em abril. No mês de março, ainda foi possível receber diesel do Oriente Médio via navios que haviam partido do Golfo Pérsico antes do início do conflito, resultando em compras de US$ 111,89 milhões dos Emirados Árabes Unidos (15,7% do total do mês) e US$ 99,23 milhões da Arábia Saudita (13,57%).
Para mitigar a alta dos preços ao consumidor, o governo federal implementou subsídios de R$ 10 bilhões para importação e comercialização por meio de medida provisória em março. Paralelamente, um decreto presidencial zerou o PIS e a Cofins sobre o combustível, gerando uma renúncia fiscal de R$ 20 bilhões. Essa desoneração tributária reduz o custo do litro em R$ 0,32 na refinaria, valor somado a outros R$ 0,32 por litro provenientes da subvenção a produtores e importadores. A equipe econômica informou que a compensação dessas perdas ocorreu via aumento na receita de royalties do petróleo, impulsionada pela alta do barril.
Em abril, foi instituído um programa de redução do ICMS sobre o diesel importado, com custos divididos igualmente entre a União e os estados. A medida, que custou R$ 4 bilhões em dois meses — superando a estimativa inicial de R$ 3 bilhões do Ministério da Fazenda —, reduz o preço final na bomba em R$ 1,20 por litro. Com a prorrogação do prazo de adesão até a última terça-feira (5), todos os estados aderiram ao acordo, com exceção de Rondônia.
Ainda em abril, o governo estabeleceu uma subvenção adicional de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido internamente, com custo mensal estimado em R$ 3 bilhões. Para ambas as modalidades de auxílio, as empresas são obrigadas a comprovar que a redução de custos foi repassada ao consumidor final.