Economia

Brasil consolida quinta posição no ranking mundial de aquecimento solar térmico

19 de Maio de 2026 às 12:48

O Brasil ocupa a quinta posição mundial em aquecimento solar térmico, com 26,7 milhões de metros quadrados de coletores instalados. O setor registrou a instalação de 258.767 novos sistemas em 2024, concentrando-se principalmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná

Brasil consolida quinta posição no ranking mundial de aquecimento solar térmico
Aquecedor solar com garrafas PET vira projeto da Celesc, reduz uso do chuveiro elétrico e destaca impacto do banho no consumo de energia.

O Brasil consolidou a quinta posição no ranking mundial de aquecimento solar térmico, com um parque instalado de 26,7 milhões de metros quadrados de coletores em residências, hotéis, condomínios e indústrias. O volume, que equivale a aproximadamente 3.700 campos de futebol (padrão FIFA), é detalhado na Pesquisa de Produção e Vendas 2025 da ABRASOL, publicada em março de 2026, e corroborado pelo relatório Solar Heat Worldwide 2025 da Agência Internacional de Energia (IEA).

A expansão do setor atingiu seu ápice em 2024, com a instalação de 258.767 novos sistemas. No mesmo período, a produção de coletores por fabricantes como Soletrol, Heliotek, Komeco, Lorenzetti e Cumulus superou a marca de 1,5 milhão de metros quadrados. A Heliotek, especificamente, anunciou a ampliação de sua capacidade produtiva em Santo André (SP) para adicionar 500 mil metros quadrados anuais.

Geograficamente, a tecnologia concentra-se no Sudeste e Sul. São Paulo detém 35% do parque, seguido por Minas Gerais com 18% e Paraná com 11%. O Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul completam a lista dos seis estados com maior penetração. No interior paulista, cidades como Bauru, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto registraram alta de 24% nas instalações residenciais entre 2023 e 2025.

O crescimento é impulsionado pelo custo da energia elétrica. Em maio de 2026, a tarifa registrava R$ 0,89 por kWh, sob a vigência da bandeira amarela desde abril. Para famílias de três pessoas, o uso de um chuveiro elétrico convencional (com potência entre 5.500 W e 7.500 W) representa um gasto mensal entre R$ 70 e R$ 95, podendo ultrapassar R$ 150 em residências com quatro ou cinco moradores. Dados da Unicamp indicam que esse equipamento consome de 30% a 45% da eletricidade em moradias com três residentes, onde um banho de 10 minutos a 5,5 kW consome 0,92 kWh.

A implementação de sistemas solares térmicos reduz o consumo residencial entre 80 e 120 kWh por mês, gerando uma economia financeira de R$ 70 a R$ 105 mensais. O impacto reflete também na rede elétrica, já que o uso simultâneo de chuveiros elétricos pressiona o pico de demanda nacional entre as 17h e 21h.

Tecnicamente, o sistema opera por convecção natural (termossifão), utilizando de 2 a 4 m² de coletores que aquecem a água via serpentinas de cobre. A água é armazenada em boilers — com capacidade típica de 200 litros para três pessoas — que mantêm a temperatura entre 50 °C e 70 °C por até 48 horas, graças ao isolamento de poliuretano de alta densidade. A vida útil estimada é de 20 anos para os coletores e 15 anos para o reservatório.

O retorno financeiro do investimento (payback) ocorre, em média, entre 3 e 5 anos para sistemas residenciais de 200 a 400 litros em áreas com boa insolação. Um estudo do Instituto Politécnico da UFRJ Macaé, realizado em 2018, demonstrou que um sistema com dois coletores de 1,5 m² e boiler de 200 litros, custando R$ 4.180, proporcionou economia mensal de R$ 95, com retorno do capital em 3 anos e 8 meses, considerando reajustes tarifários anuais de 7%.

Para estimular a adoção, quatro capitais oferecem incentivos fiscais via IPTU. Curitiba, por meio da Lei nº 9.806/2000 e do Programa de Certificação Sustentável, concede descontos de até 20%. São Paulo, pela Lei nº 15.893/2013, prevê redução de até 12% para imóveis residenciais e 20% para não residenciais. Porto Alegre aplica descontos progressivos de até 12% (Lei Complementar nº 646/2010), com novos critérios para solar térmico em 2025. Salvador também aprovou a Lei nº 9.877 em 2025 para incentivar edificações sustentáveis.

No cenário macroenergético, o Ministério de Minas e Energia (MME) incluiu o aquecimento solar térmico como prioridade no Plano Nacional de Transição Energética desde dezembro de 2025, com a meta de dobrar o parque para 53 milhões de metros quadrados até 2030. O secretário-executivo Pietro Mendes classificou a tecnologia como a opção mais barata para a transição residencial.

A medida surge em um contexto de pressão sobre o consumo, com o ONS apontando crescimento no uso de ar-condicionado e dependência de chuveiros elétricos em casas populares. Esse cenário levou à ativação da bandeira vermelha patamar 2 (R$ 9,79 a cada 100 kWh) em sete dos últimos doze meses até abril de 2026, apesar da projeção da ANEEL de adicionar 9,1 GW à matriz elétrica em 2026.

A manutenção dos sistemas, segundo o LabEEE/UFSC, consiste na limpeza semestral dos coletores e na troca do ânodo de magnésio do boiler a cada três anos. A qualidade dos equipamentos é atestada pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro. Para a ABRAVA, a escolha entre sistemas térmicos ou fotovoltaicos depende do perfil do imóvel, sendo a combinação de ambos a solução mais eficiente para residências com piscinas aquecidas ou alta demanda industrial.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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