Economia

Brasil e Estados Unidos ampliam cooperação contra o crime transnacional para evitar novas tarifas comerciais

07 de Julho de 2026 às 18:03

Brasil e Estados Unidos ampliaram a cooperação no combate ao crime transnacional para evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros. A agenda inclui reuniões técnicas e um encontro político com Jamieson Greer. O governo brasileiro mantém o foco nas questões tarifárias e exclui o etanol das negociações

Brasil e Estados Unidos ampliam cooperação contra o crime transnacional para evitar novas tarifas comerciais
© ANGELO F. ROESLER/ ADOBE STOCK

O governo brasileiro identificou a disposição dos Estados Unidos em ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime transnacional, conforme informou nesta terça-feira (7) o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. O avanço ocorreu após rodadas de reuniões técnicas com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e faz parte de um esforço para evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos nacionais.

A agenda prevê, ainda para esta semana, a realização de um encontro político com o representante comercial americano, Jamieson Greer, além de nova reunião técnica. Esses passos devem ocorrer antes do fechamento da consulta pública que precede a definição final sobre as tarifas. Apesar da abertura em temas estratégicos, a orientação da Presidência da República é manter o foco das negociações estritamente na questão tarifária.

Um ponto central da disputa é a exclusão do etanol das negociações comerciais. O governo brasileiro argumenta que a tarifa do biocombustível não pode ser discutida isoladamente, pois estaria vinculada à cadeia produtiva do açúcar, que enfrenta sobretaxas de quase 100% nos Estados Unidos. A manutenção do etanol fora do acordo é vista como essencial para proteger a indústria nacional, especialmente no Nordeste.

Essa posição é endossada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, pela União Nacional do Etanol de Milho e pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia. Em audiência pública promovida pelo USTR, as entidades esclareceram que a redução nas importações de etanol americano é resultado da expansão da produção brasileira de etanol de milho, e não apenas de barreiras tarifárias. O setor defende que os dois maiores produtores mundiais de biocombustíveis foquem na expansão do mercado global em vez de intensificar conflitos bilaterais.

As tratativas acontecem enquanto o USTR conduz uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Esse mecanismo legal permite que Washington apure práticas comerciais estrangeiras consideradas desleais ou prejudiciais às suas empresas, podendo resultar em restrições comerciais ou sobretaxas. No caso do Brasil, o processo investiga questões de propriedade intelectual, compras governamentais e comércio digital. Diante do prazo exíguo para um acordo, o governo brasileiro concentrará as ações nos pontos com maior probabilidade de resultado positivo.

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