Brasil manifesta nova oposição a sobretaxas dos Estados Unidos em produtos nacionais
O Brasil contestou, em reunião nesta terça-feira (14), a proposta dos Estados Unidos de aplicar sobretaxas de 25% e 12,5% sobre produtos nacionais. A medida pode afetar 4,2 mil itens, totalizando US$ 15 bilhões, com decisão final prevista para quarta-feira (15)

O Brasil manifestou nova oposição à implementação de sobretaxas pelos Estados Unidos em produtos nacionais. O posicionamento ocorreu durante reunião realizada nesta terça-feira (14) com Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, na véspera do prazo final para a decisão da gestão de Donald Trump.
Tarifas e Impactos Econômicos
A contestação brasileira foca em duas frentes: uma proposta de sobretaxa de 25% direcionada a produtos do Brasil e uma tarifa adicional de 12,5%, motivada por investigações sobre trabalho forçado, que atingiria outras 59 economias.
De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a confirmação dessas medidas pode impactar cerca de 4,2 mil produtos exportados, totalizando aproximadamente US$ 15 bilhões. Entre os itens com risco de taxação estão:
* Ferro-gusa;
* Álcool etílico;
* Molduras de madeira;
* Aeronaves, insumos industriais e produtos agropecuários.
Contexto da Investigação
As medidas são resultado de uma investigação do USTR, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Washington alega que o Brasil adota práticas prejudiciais aos interesses comerciais americanos em setores específicos, como:
* Propriedade intelectual e comércio digital;
* Sistema de pagamentos eletrônicos (Pix);
* Acesso ao mercado de etanol;
* Combate ao desmatamento ilegal.
O governo brasileiro nega que tais alegações justifiquem a imposição de barreiras comerciais.
Articulação Diplomática
O encontro de terça-feira contou com a participação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial da Presidência da República. Esta foi a quinta reunião entre as autoridades desde 7 de maio, data em que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump estabeleceram um grupo de trabalho para o diálogo comercial.
A orientação da Presidência da República é priorizar a via negociada para evitar as tarifas, embora interlocutores governamentais observem que a postura dos Estados Unidos tornou-se mais rígida nas últimas semanas, após avanços iniciais.
O prazo para a conclusão da investigação e a divulgação da lista definitiva de produtos atingidos encerra-se nesta quarta-feira (15). O governo brasileiro mantém a defesa de uma solução diplomática, mas não descarta a aplicação de medidas de resposta caso as sobretaxas sejam concretizadas.