Brasil negocia com Estados Unidos para evitar a imposição de novas tarifas a produtos nacionais
Brasil e Estados Unidos discutem a manutenção de tarifas sobre produtos nacionais em reuniões técnicas. O governo brasileiro excluiu a redução de impostos sobre o etanol norte-americano da pauta. O senador Flávio Bolsonaro defendeu a zeragem de tarifas para etanol e açúcar em audiência em Washington
O governo brasileiro mantém negociações com autoridades dos Estados Unidos para impedir que a gestão de Donald Trump imponha novas tarifas a produtos nacionais. Equipes técnicas de ambos os países se reuniram nesta terça-feira (7), e a expectativa é de que ocorra uma nova audiência com Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, antes que a decisão americana seja tomada na próxima semana.
Apesar do diálogo, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio excluiu a redução de tarifas sobre o etanol norte-americano da pauta de negociações, seguindo orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Atualmente, o Brasil aplica uma alíquota de 18% sobre o etanol dos EUA, enquanto o governo americano cobra 2,5% sobre o produto brasileiro.
O ministro Márcio Elias Rosa argumenta que a abertura do mercado interno para o etanol dos Estados Unidos representaria um risco para a indústria sucroalcooleira, especialmente na região Nordeste.
Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro (PL) defendeu a adoção de um regime paritário e a zeragem de tarifas para o etanol e o açúcar em manifestação enviada ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O parlamentar participou, também nesta terça-feira, de uma audiência do USTR em Washington, embora não tenha mencionado o etanol em seu pronunciamento de cinco minutos.
Durante a audiência, Flávio Bolsonaro afirmou que a imposição de tarifas neste momento beneficiaria Lula nas eleições de outubro e atribuiu ao governo petista e ao Supremo Tribunal Federal (STF) os motivos citados pelo USTR para a aplicação de novas taxas. Questionado sobre a atuação do senador nos Estados Unidos, o ministro Márcio Elias Rosa não fez comentários.