Economia

Brasil planeja captar até 5 bilhões de yuans com a emissão de seus primeiros títulos panda

25 de Junho de 2026 às 06:09

O governo brasileiro emitirá seus primeiros títulos panda nos próximos três meses para captar até 5 bilhões de yuans. O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em Pequim

Brasil planeja captar até 5 bilhões de yuans com a emissão de seus primeiros títulos panda
Maxim Shemetov / Reuters

O governo brasileiro planeja captar até 5 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 734,99 milhões) por meio da emissão de seus primeiros títulos panda, operação prevista para ocorrer nos próximos dois ou três meses. O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em Pequim nesta quinta-feira (25). Os Panda Bonds consistem em títulos de dívida emitidos por entidades estrangeiras no mercado financeiro chinês e negociados na moeda local, funcionando como empréstimos de investidores ao governo brasileiro mediante o pagamento de juros.

A medida marca a estreia do Brasil nesse instrumento financeiro na China e integra a estratégia do Ministério da Fazenda para diversificar as fontes de financiamento e ampliar a presença internacional, reduzindo a dependência do dólar. O movimento sucede a primeira emissão de títulos em euros desde 2014, realizada em abril, quando o país captou 5 bilhões de euros (cerca de R$ 29 bilhões).

A formalização da operação deve acontecer durante agenda de autoridades brasileiras em Xangai e Pequim, entre 24 e 26 de junho, liderada por Dario Durigan. Antes da viagem, representantes de ambos os países se reúnem em um subcomitê financeiro bilateral.

A iniciativa ocorre em um cenário de consolidação da parceria econômica com a China, principal parceiro comercial do Brasil. No ano passado, o país foi o maior destino global de investimentos chineses, atraindo US$ 6,1 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões) em novos negócios e projetos. Esse montante representa 10,9% de todo o capital chinês investido no exterior no período, superando nações como Estados Unidos, Indonésia e Cazaquistão. O Brasil é, inclusive, o único país a se manter entre os cinco principais destinos do capital chinês nos últimos cinco anos.

O redirecionamento estratégico acontece simultaneamente a tensões com os Estados Unidos, motivadas pela proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros e a classificação de facções criminosas do país como organizações terroristas pelo governo de Donald Trump.

Além da captação financeira, o governo brasileiro pretende apresentar projetos de sustentabilidade para atrair investimentos chineses em setores estratégicos. Entre as pautas estão o programa Eco Invest Brasil, o projeto Tropical Forest Forever Facility (TFFF), focado na preservação de florestas tropicais, e a implementação de um mercado regulado de carbono.

Com informações de G1

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