Economia

Brasil possui os juros reais mais altos do mundo entre 40 nações monitoradas pela MoneYou

04 de Julho de 2026 às 06:05

Com a Selic em 14,25% ao ano, o Brasil possui os juros reais mais elevados entre 40 países. O ministro Dario Durigan aponta a taxa como entrave aos investimentos e à dívida pública, que soma 81,4% do PIB. O governo projeta superávit de 0,5% do PIB para 2027

Brasil possui os juros reais mais altos do mundo entre 40 nações monitoradas pela MoneYou
Washington Costa/MF

A taxa Selic, fixada em 14,25% ao ano, posiciona o Brasil com os juros reais mais altos do mundo entre 40 nações monitoradas pela MoneYou. Para o ministro da Fazenda, Dario Durigan, esse patamar representa o principal obstáculo da economia brasileira, pois desestimula os investimentos privados e onera a dívida pública, que atinge 81,4% do Produto Interno Bruto (PIB).

O endividamento do país é impactado diretamente pela Selic, já que a taxa de juros corrige a maior parte da dívida pública. Enquanto o governo defende a necessidade de harmonizar a política monetária do Banco Central com a gestão de receitas e despesas, a autoridade monetária argumenta que sua atuação é reativa. O Banco Central indica que o aumento de gastos e a expansão do crédito estimulam a economia e elevam as projeções de inflação, exigindo uma política de juros mais agressiva para desacelerar a atividade econômica.

Essa divergência é corroborada por economistas, que apontam a falta de sintonia entre a política de gastos e a definição dos juros como um fator que dificulta o controle inflacionário. O mercado financeiro critica a estratégia de elevar impostos simultaneamente ao aumento de despesas, defendendo que cortes robustos de gastos são essenciais para uma queda sustentável dos juros e a contenção da dívida. No mesmo sentido, Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, atribuiu em 2023 a elevação dos juros ao alto nível de endividamento do país.

Apesar das pressões, o ministro Durigan negou que a concessão de linhas de crédito favorecidas em ano eleitoral — como as destinadas ao Desenrola 2.0 e à compra de veículos de transporte e imóveis — tenha impedido cortes mais profundos na Selic. Recentemente, o Banco Central elevou a projeção de crescimento do PIB para este ano, justificando a mudança principalmente pelos estímulos fiscais e de crédito.

Para reverter o cenário e atingir as metas de superávit, o governo planeja ajustes nas contas públicas via redução de benefícios fiscais e contenção de despesas. A meta para 2027 é um resultado positivo de 0,5% do PIB (R$ 73,2 bilhões), com margem de tolerância entre R$ 36,6 bilhões e R$ 109,8 bilhões. Estão previstos superávits primários crescentes para os anos seguintes: 1% do PIB em 2028, 1,25% em 2029 e 1,5% em 2030. O plano de ajuste inclui a tributação de camadas mais ricas e a revisão de programas sociais, embora o ministro tenha postergado para a próxima gestão o debate sobre a desindexação do salário mínimo de benefícios previdenciários e gastos em saúde e educação.

Sobre a sustentabilidade do arcabouço fiscal, Durigan defende a viabilidade da regra, que limita o crescimento das despesas a 2,5% ao ano acima da inflação. Contudo, a expansão dos gastos obrigatórios, como pensões e salários de servidores, reduz a margem para despesas discricionárias. Para evitar a paralisia da máquina pública, o governo precisará aprovar cortes em gastos obrigatórios no Congresso Nacional, sob risco de a regra atual ser abandonada ou alterada.

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