Economia

Brasil prioriza renegociação de tarifas de importação dos Estados Unidos durante cúpula do G7 na França

17 de Junho de 2026 às 06:07

O governo brasileiro busca renegociar tarifas de importação dos Estados Unidos durante a cúpula do G7 na França. O objetivo é reverter a taxação de 25% e evitar um acréscimo de 12,5% sobre mercadorias brasileiras. O presidente Lula planeja enviar uma carta a Donald Trump para tratar do tema

Brasil prioriza renegociação de tarifas de importação dos Estados Unidos durante cúpula do G7 na França
Evelyn Hockstein/ Reuters

O governo brasileiro prioriza a renegociação de tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos durante a cúpula do G7, realizada nesta semana na França. O foco central é a reversão de uma taxação de 25% anunciada no início de junho, após o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) concluir que o Brasil adota práticas comerciais "irrazoáveis". A carga tributária pode subir para 37,5% devido a um decreto adicional de 12,5%, aplicado a 60 países, incluindo o Brasil, sob a justificativa de falhas na fiscalização de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Apesar do impacto, cerca de 60% das exportações brasileiras para o mercado americano estão em listas de exceção, o que limita o dano econômico direto. O Brasil já havia obtido a eliminação de uma tarifa de 40% sobre diversos itens em novembro de 2025, mas a nova medida é vista por Brasília como uma ação política, que ignora argumentos técnicos apresentados por representantes comerciais.

A estratégia de Donald Trump utiliza tarifas como instrumento de pressão para obter vantagens bilaterais e fortalecer a economia doméstica. Esse padrão foi observado em 2018, com taxas sobre aço e alumínio que resultaram em um sistema de cotas para o Brasil. Outras economias, como China, Canadá, México e a União Europeia, também foram alvos de medidas semelhantes, justificadas por temas que variam desde o combate ao narcotráfico e imigração ilegal até questões sobre o PIX brasileiro. A classificação de grupos como o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas também é vista como um mecanismo para flexibilizar a adoção de embargos econômicos.

Internamente, as promessas de que as tarifas reduziriam a dívida pública e fortaleceriam a economia americana não se concretizaram. O déficit orçamentário dos EUA cresceu 2%, atingindo US$ 164 bilhões em março. A inflação ao consumidor acumulou 4,2% em 12 meses, encerrando maio com o sétimo avanço consecutivo, enquanto o PIB do primeiro trimestre cresceu 1,6%, abaixo da projeção de 2%. Esse cenário contribui para a queda na popularidade de Trump desde o ano passado.

No âmbito diplomático, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende enviar uma nova carta a Trump para tratar do tema. Diplomatas brasileiros esperam que um encontro bilateral durante o G7 possa destravar as negociações, embora a reunião não tenha sido confirmada e a ausência de interação entre os líderes na foto oficial do grupo seja interpretada como um sinal negativo. Como a legislação americana exige a conclusão de investigações formais e consultas públicas antes da vigência das medidas, o governo brasileiro mantém a intenção de negociar, enquanto busca estreitar laços com a União Europeia e outras economias presentes na cúpula.

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