Brasil registra desemprego histórico de 5,6% enquanto percepção popular indica piora na economia
O Brasil registrou desemprego de 5,6% em maio, crescimento do PIB de 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024, além da saída de 17,5 milhões de pessoas da pobreza entre 2022 e 2024. Pesquisa Genial/Quaest de junho indica que 44% dos entrevistados percebem piora na economia, enquanto o World Inequality Report 2026 aponta aumento da desigualdade entre 2014 e 2024
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O Brasil apresenta um cenário de indicadores macroeconômicos positivos, com o desemprego atingindo a marca histórica de 5,6% em maio deste ano. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) também superou as expectativas, registrando 3,2% em 2023 e 3,4% em 2024, com projeção de 2,3% para 2025. Além disso, entre 2022 e 2024, 17,5 milhões de pessoas deixaram a situação de pobreza.
Apesar desses números, há um descompasso na percepção popular. De acordo com a pesquisa Genial/Quaest de junho, 44% dos entrevistados consideram que a economia piorou nos últimos 12 meses, enquanto apenas 20% notaram melhora.
A economista Laura Carvalho, professora da FEA-USP e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, analisa esse fenômeno em artigo escrito com Guilherme Klein Martins, professor da UFRJ. Para os autores, a inflação e seus impactos no bem-estar são fatores centrais, especialmente para os 50% mais pobres, que são mais afetados pela alta nos preços dos alimentos.
Outro ponto destacado é a mudança no perfil de consumo. Carvalho argumenta que, nos anos 2000, a inclusão de parte da população no mercado consumidor gerou satisfação ao proporcionar acesso a bens básicos e viagens. Atualmente, as redes sociais ampliam o "consumo aspiracional", expondo padrões de vida de classes muito mais ricas e globalizadas, o que gera frustração e endividamento, mesmo quando a renda cresce.
A análise aponta ainda a frustração de gerações com diploma universitário que não encontram vagas compatíveis com sua formação, ocupando postos de baixa qualificação e salários próximos ao mínimo.
No campo da desigualdade, o World Inequality Report 2026 indica que a disparidade no Brasil cresceu entre 2014 e 2024, mantendo-se entre as maiores do mundo. Carvalho explica que, embora programas sociais e a valorização do salário mínimo tenham reduzido a distância entre a base e o meio da pirâmide, a concentração de renda no topo permanece intacta.
A economista defende que a dívida pública elevada, ao pagar juros altos a detentores de alto patrimônio, atua como um mecanismo de transferência de renda para os mais ricos. Para reverter esse quadro e iniciar um novo ciclo de prosperidade, ela propõe a expansão de serviços públicos de qualidade — reduzindo a dependência de gastos privados com saúde e educação —, a diversificação econômica para gerar empregos qualificados e o avanço da tributação.
A agenda sugerida inclui a taxação de riqueza para corrigir a concentração histórica e a revisão de subsídios tributários, que atualmente representam 6% do PIB. Carvalho ressalta que a eficiência nos gastos e a digitalização de serviços são caminhos viáveis, descartando que cortes em benefícios sociais ou reformas administrativas focadas apenas em pessoal sejam a solução para a melhoria da qualidade do serviço público.