Economia

Brasil se posiciona como hub industrial verde durante a feira Hannover Messe na Alemanha

03 de Maio de 2026 às 15:09

O Brasil apresentou-se como hub industrial verde na Hannover Messe 2026, na Alemanha, destacando sua matriz elétrica com 88,2% de renovabilidade em 2024. O pavilhão reuniu mais de 140 expositores, incluindo Embraer, Vale e Petrobras, focando em soluções digitais e transição energética

O Brasil consolidou sua posição como hub industrial verde durante a Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, realizada entre 20 e 24 de abril de 2026, na Alemanha. Com o status de País Parceiro, a nação utilizou a visibilidade para atrair investidores, governos e centros de pesquisa, apresentando-se como uma base produtiva capaz de entregar bens industriais e soluções digitais, superando a imagem tradicional de exportador de matérias-primas.

O principal pilar econômico dessa estratégia foi a matriz elétrica brasileira, que em 2024 atingiu 88,2% de renovabilidade. Esse indicador coloca o país em vantagem competitiva na disputa global por fábricas e fornecedores que precisam cumprir metas climáticas, permitindo a produção de aço, alumínio, máquinas e componentes com menor pegada de carbono. A tese é que a energia limpa se converte em diferencial de preço e acesso a mercados, especialmente na Europa, onde Alemanha e União Europeia buscam cadeias de suprimentos mais resilientes e seguras.

A estrutura brasileira no evento ocupou mais de 2.000 m², divididos em áreas de automação, robótica, indústria digital, sustentabilidade e equipamentos. O pavilhão reuniu mais de 140 expositores, com a presença de empresas e instituições como Embraer, Vale, Petrobras, BNDES e ABIMAQ. Enquanto a Embraer focou em aviação sustentável e engenharia avançada, a Vale priorizou minerais críticos e a mineração do futuro, e a Petrobras concentrou-se em transição energética. O BNDES atuou na conexão entre a vitrine industrial e a agenda de financiamento verde.

A narrativa industrial foi sustentada pela integração de recursos naturais com tecnologia. O país apresentou a combinação de inteligência artificial e engenharia de dados para otimizar a produção, reduzir desperdícios e rastrear emissões. Esse ecossistema abrangeu setores como biocombustíveis, hidrogênio de baixo carbono — com potencial para fertilizantes e química verde —, terras raras e baterias, essenciais para a nova fase da produção mundial.

Essa movimentação está alinhada à Nova Indústria Brasil, política que visa aumentar a produtividade, a inovação e a agregação de valor até 2033. O objetivo é reduzir a dependência tecnológica e fortalecer empregos qualificados, transformando a exportação de minérios, petróleo e grãos em exportação de tecnologia e produtos processados.

De acordo com a organização da Hannover Messe, o Brasil foi posicionado como uma força da transformação sustentável. O país agora busca converter essa visibilidade em contratos e investimentos reais, utilizando sua capacidade de inovação e mercado interno para liderar a economia de baixo carbono na América Latina.

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