Café solúvel brasileiro pode enfrentar taxação de 37,5% no mercado dos Estados Unidos
O café solúvel brasileiro pode sofrer taxação de 37,5% nos Estados Unidos, sendo o único segmento de café sem isenção. A Abics enviará manifestações até 1º de julho e participará de audiência pública em Washington no dia 6. A medida decorre de propostas de Donald Trump sobre pirataria, desmatamento e combate ao trabalho forçado
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A indústria brasileira de café solúvel poderá enfrentar uma taxação de 37,5% no mercado americano caso novas tarifas propostas por Donald Trump entrem em vigor. O setor é o único segmento de café que não foi incluído nas listas de isenções de impostos, diferentemente dos cafés em grão, torrado e moído. Atualmente, o produto brasileiro aguarda o vencimento, em julho, de uma tarifa global de 10% imposta em 20 de fevereiro, data em que o Congresso dos EUA havia derrubado uma sobretaxa de 50% que vigorou entre agosto de 2025 e fevereiro deste ano.
Para tentar reverter esse cenário, a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) participará de uma audiência pública em Washington, no dia 6 de julho. A entidade também enviará manifestações por escrito até o dia 1º de julho, prazo final estabelecido pelo governo dos Estados Unidos para a recepção de argumentos de governos e associações.
A estratégia de defesa da Abics baseia-se em dados técnicos, incluindo o impacto inflacionário para o consumidor americano, já que a inflação do café solúvel nos EUA registrou alta de 24% em 12 meses, com base em dados de maio do Bureau of Labor Statistics. Outro ponto central é a dependência externa dos Estados Unidos, que produzem apenas 6% do café solúvel consumido internamente. A associação argumenta que a reindustrialização do setor nos EUA demandaria entre quatro e cinco anos para a instalação de fábricas e ainda exigiria a importação de matéria-prima.
O contexto de pressão tarifária começou em 1º de junho, quando Trump propôs taxas de 25% sobre produtos brasileiros após investigações sobre pirataria, PIX e desmatamento ilegal. No dia seguinte, foram anunciadas taxas adicionais de 12,5% para 60 países, incluindo o Brasil, devido a falhas no combate ao trabalho forçado. A Abics analisa que essas medidas fazem parte de uma negociação mais ampla dos Estados Unidos para obter acordos em áreas como big techs, PIX, terras raras e minerais críticos.