Economia

Caminhão movido a biometano inicia transporte de açúcar das usinas para o Porto de Santos

16 de Maio de 2026 às 06:19

Um caminhão de nove eixos movido a biometano, com capacidade para 74 toneladas, iniciou o transporte de açúcar para o Porto de Santos via projeto Biorrota. O veículo utiliza combustível derivado de resíduos da cana-de-açúcar e possui autonomia de 450 km a 700 km

Caminhão movido a biometano inicia transporte de açúcar das usinas para o Porto de Santos
Caminhão a biometano entra na Biorrota do açúcar até o Porto de Santos com menor ruído e operação pesada de nove eixos.

Um caminhão movido a biometano, com configuração 6×4 e nove eixos, iniciou a operação de transporte de açúcar commodity das usinas até o Porto de Santos. O veículo, com capacidade para 74 toneladas, integra o projeto Biorrota, iniciativa desenvolvida pela Coperçúcar em parceria com transportadoras que atuam no fluxo logístico rumo ao terminal açucareiro.

O modelo opera com 460 cavalos e torque de 2.300 Nm, desempenho equivalente aos veículos a diesel da mesma categoria. Para adequar a entrega de força do motor a gás, a transmissão foi ajustada com marchas iniciais reduzidas para garantir tração na saída e marchas finais alongadas para a manutenção de giro baixo em rodovias. A segurança em descidas, como a da Serra de Santos, é reforçada por um retarder na caixa, compensando a diferença de comportamento do freio motor em relação ao diesel.

O combustível utilizado é produzido a partir de resíduos da própria cadeia da cana-de-açúcar. A vinhaça passa por biodigestores para a extração do gás e, posteriormente, o material restante retorna ao canavial como fonte de potássio para adubação. Fora do período de colheita, a torta de filtro é utilizada para manter a produção de biometano durante todo o ano.

Em termos de autonomia, o veículo possui um raio de operação de 450 km, que pode ser expandido para 700 km mediante a instalação de tanques extras atrás da cabine. Essa capacidade amplia a viabilidade do modelo em rotas rodoviárias mais longas e complexas, superando a limitação anterior de caminhões a gás, geralmente restritos a operações urbanas ou leves.

Operacionalmente, o caminhão apresenta redução de 25% no nível de ruído e dispensa o uso de Arla, eliminando a necessidade do sistema de pós-tratamento típico dos motores diesel. Além disso, o veículo não emite os particulados associados ao combustível fóssil.

A viabilidade da Biorrota depende de um ecossistema integrado que alinha a produção, compressão e armazenamento do biometano ao planejamento da frota e às rotas de transporte. O projeto transforma o subproduto industrial em energia para a logística de exportação, conectando a produção rural ao terminal portuário.

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