Cazaquistão identifica a maior reserva de terras raras de sua história na província de Karagandy
O Cazaquistão identificou a reserva de terras raras "Novo Cazaquistão", com estimativas de 935,4 mil toneladas de óxidos na província de Karagandy. O projeto prevê investimento de US$ 10 bilhões, com estudos de viabilidade até 2026 e início da produção comercial a partir de 2034. Auditorias da União Europeia e dos Estados Unidos validarão as 20 milhões de toneladas confirmadas

O Cazaquistão identificou a maior reserva de terras raras de sua história, batizada de “Novo Cazaquistão”, com estimativas de 935,4 mil toneladas de óxidos de cério, lantânio, neodímio e ítrio. Localizado em quatro zonas da província de Karagandy, entre Astana e Almaty, o depósito pode posicionar o país entre os três maiores detentores desses minerais no mundo, caso as 20 milhões de toneladas confirmadas sejam validadas por auditorias independentes. Geólogos da União Europeia e do Departamento de Energia dos Estados Unidos devem visitar a região nos próximos meses para a checagem que definirá a inclusão da reserva na lista de Minerais Críticos da Comissão Europeia.
O desenvolvimento integral do sítio mineral demandará um investimento próximo a US$ 10 bilhões. O cronograma governamental prevê a conclusão dos estudos de viabilidade comercial e composição da mineração até dezembro de 2026, com a abertura de licitações internacionais para parcerias entre 2027 e 2028. A estimativa de extração da primeira tonelada varia entre seis e 12 anos, com a expectativa de início da produção comercial a partir de 2034, embora o setor costume enfrentar atrasos de cinco a oito anos em projetos desse porte.
A movimentação ocorre em um cenário de forte dependência global da China, que em 2024 detinha quase 70% da produção mundial e mais de 90% da capacidade de refino, controlando o suprimento de insumos para baterias, motores elétricos e turbinas. Para efeito de comparação, a China possui 44 milhões de toneladas de óxidos em reserva, seguida pelo Vietnã, com 22 milhões, e o Brasil, com 21 milhões.
No campo geopolítico, Washington trata a diversificação desses minerais como questão de segurança nacional desde 2023, buscando alternativas ao parque industrial chinês em parceiros como Canadá, Austrália e Cazaquistão. Em abril de 2026, o presidente Kassym-Jomart Tokayev apresentou aos Estados Unidos um plano de cooperação para a cadeia de baterias, resultando em um acordo de US$ 2,3 bilhões em investimentos cruzados por cinco anos. O Cazaquistão busca reduzir a dependência de Pequim, que detinha 95% de suas exportações em 2010 e hoje concentra 60%.
A composição da jazida destaca o neodímio como o elemento mais estratégico para a fabricação de ímãs permanentes de turbinas eólicas e motores elétricos. O cério, presente em maior volume, é aplicado em catalisadores de motores a combustão; o lantânio é utilizado em vidros ópticos e baterias de níquel-hidreto; e o ítrio serve como insumo para telas LED e lasers industriais.
Economicamente, o setor mineral impulsiona a projeção de crescimento de 4,2% do PIB cazaque para 2026. A infraestrutura de transporte para esses minerais é parcialmente financiada pelo setor petrolífero do país, que produz 1,7 milhão de barris por dia, com planos de integração ao corredor logístico que liga o porto de Aktau a Baku, no Azerbaijão.
Paralelamente, o Brasil tenta avançar na exploração de seus 21 milhões de toneladas de reservas, embora a produção industrial ainda seja limitada pela falta de capacidade de refino. Em maio de 2026, a Câmara aprovou a Política Nacional de Minerais Críticos, prevendo R$ 5 bilhões em créditos fiscais e R$ 2 bilhões em garantias. O país detém ainda 22% das reservas globais de grafite e 17% de nióbio, elementos essenciais para baterias e equipamentos de geração elétrica em plataformas offshore.