China atinge 94% das obras do Canal Pinglu para conectar rio interior ao mar
A China concluiu 94% do Canal Pinglu, obra de 134,2 quilômetros que interliga o reservatório de Xijin ao Golfo de Tonkin com investimento de 72,7 bilhões de yuanes. A via, que inicia testes operacionais em setembro, reduz a rota de embarcações em mais de 560 quilômetros e prevê abertura para navegação regular até o fim de 2026
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A China atingiu 94% da conclusão do Canal Pinglu, obra de 134,2 quilômetros que interliga o reservatório de Xijin, no rio Yu, ao Golfo de Tonkin via rio Qin, na região autônoma de Guangxi Zhuang. Com investimento de 72,7 bilhões de yuanes (cerca de 10,7 bilhões de dólares), a via navegável inicia testes operacionais em setembro, durante a 23ª Exposição China-ASEAN em Nanning. A construção, iniciada em agosto de 2022, tem previsão de abertura para navegação regular até o fim de 2026, marcando a primeira conexão entre um rio interior e o mar construída no país desde 1949.
A infraestrutura reduz a rota de embarcações rumo ao oceano em mais de 560 quilômetros. O trajeto inicial ligará Nanning ao porto de Yangpu, em Hainan, permitindo que navios de 5.000 toneladas evitem a saturação dos portos da costa leste e acelerem o acesso ao transporte marítimo internacional. A operação prevê uma economia anual de 5,2 bilhões de yuanes nos custos de transporte local.
Para viabilizar a navegação diante de um desnível de 65 metros, foram instalados três complexos de esclusas em cascata em Madao, Qishi e Qingnian. O sistema de Madao detém a maior esclusa de economia de água do mundo, com capacidade de reciclar 60% do volume hídrico utilizado. Até abril, a obra contemplou a entrega de 27 pontes, entre novas e reformadas, e segue em fase de testes de enchimento de água em trechos específicos.
O canal integra o Novo Corredor Internacional de Comércio Terrestre-Marítimo, transformando províncias do oeste e centro da China, anteriormente sem acesso ao mar, em polos diretos de exportação. A conexão física é o suporte logístico para um acordo firmado em abril entre Guangxi e Hainan para o desenvolvimento de uma rede de transporte combinado, visando fortalecer os vínculos comerciais com o Sudeste Asiático.
A estratégia logística aproveita o regime aduaneiro de Hainan, que implementou tarifas de importação inferiores ao padrão nacional até o fim de 2025. O sistema permitirá que recursos do Sudeste Asiático entrem nas províncias sul-ocidentais chinesas via Hainan, enquanto produtos manufaturados locais utilizem a mesma rota para exportação.
Esse redirecionamento de fluxos acompanha a nova dinâmica comercial chinesa, evidenciada pelo crescimento de 13,4% nas exportações para a ASEAN no último ano, em contraste com a queda de 20% nas vendas para os Estados Unidos, reflexo de tensões comerciais.