China lança plano para proteger empregos e aumentar salários diante do avanço da inteligência artificial
Governo da China lançou plano quinquenal para mitigar impactos da inteligência artificial no emprego via reestruturação de rendas e aumentos salariais. A estratégia prevê negociações coletivas no setor privado, contenção de salários altos em empresas públicas e treinamento profissional em novas tecnologias. O objetivo é expandir a população de renda média e reforçar a proteção dos direitos trabalhistas
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O governo da China estabeleceu um novo plano quinquenal, publicado na última quinta-feira pelo Ministério de Recursos Humanos e Segurança Social, com o objetivo de neutralizar os impactos disruptivos da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho. A estratégia central do documento é a proteção do emprego por meio do aumento salarial e da reestruturação da distribuição de rendas, buscando evitar que o avanço tecnológico resulte em demissões em massa.
Medidas de remuneração e negociação
Para o setor privado, a nova política incentiva a adoção de negociações coletivas de salários, substituindo a dinâmica de acordos individuais entre empregados e diretorias. O governo comprometeu-se a garantir um crescimento constante dos vencimentos, com foco prioritário no aumento da renda dos trabalhadores da linha de frente.
Já nas empresas públicas, a abordagem é distinta:
* Contenção de salários considerados excessivamente altos pelas autoridades.
* Ampliação de incentivos econômicos para talentos fundamentais, vinculando a remuneração a critérios rigorosos de qualificação técnica.
* Revisão do salário mínimo, com a exigência de aprimorar o sistema de definição de valores e a análise para a criação de uma legislação formal sobre o tema.
Combate à desigualdade e estímulo ao consumo
A iniciativa visa mitigar a disparidade de renda entre residentes urbanos e rurais, problema persistente na economia chinesa que poderia ser agravado pela IA. A lógica governamental é que os ganhos de produtividade gerados pela tecnologia tendem a beneficiar prioritariamente os detentores de capital e proprietários de equipamentos, e não necessariamente as habilidades individuais dos trabalhadores. Sem a intervenção estatal, a remuneração não subiria na mesma proporção que a eficiência produtiva.
Essa dinâmica impacta diretamente o consumo interno. Caso a produtividade da IA não se converta em melhores rendimentos para as famílias, o gasto dos consumidores permaneceria insuficiente para absorver a produção da economia, intensificando o desequilíbrio entre oferta e demanda no país.
Qualificação e direitos trabalhistas
Para elevar o poder de compra de famílias de baixa renda, o plano prevê a combinação de investimentos em ativos físicos e em pessoas. Isso se materializa em um programa de treinamento para desempregados focado nas chamadas "novas forças produtivas de qualidade", que englobam:
* Inteligência Artificial e economia digital;
* Fabricação avançada;
* Economia de baixa altitude (drones e aeronaves);
* Setor de serviços, incluindo cuidados infantis e para idosos.
A meta para os próximos cinco anos é a expansão da população de renda média, com atenção especial a trabalhadores qualificados e migrantes rurais. Complementarmente, o governo pretende reforçar as proteções legais dos direitos trabalhistas, aprimorar o sistema de férias remuneradas e estudar a implementação de normas trabalhistas básicas por meio de legislação.