Economia

CNI e CUT classificam redução de 0,25 ponto na taxa Selic como insuficiente

18 de Junho de 2026 às 06:07

CNI e CUT consideram insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic. A CBIC avalia a medida positivamente, mas defende a continuidade dos cortes para baratear o crédito e estimular investimentos

CNI e CUT classificam redução de 0,25 ponto na taxa Selic como insuficiente
© JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL

A redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic foi classificada como insuficiente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT). Para ambas as entidades, o ajuste não é capaz de reverter a estagnação dos investimentos nem de atender às demandas urgentes da população e do país.

A CNI argumenta que a medida não soluciona a asfixia financeira de famílias e empresas. Segundo o presidente da entidade, Ricardo Alban, a manutenção de juros reais elevados favorece o capital especulativo e torna o crédito inviável para a expansão da produção industrial. Alban destaca que o serviço da dívida continua a estrangular o orçamento do governo, das companhias e dos consumidores, o que retarda a retomada do consumo e mantém a inadimplência.

A indústria defende que o Banco Central intensifique os cortes na próxima reunião, aproveitando o acordo entre Estados Unidos e Irã para o fim da guerra. Para a CNI, o encerramento do conflito já provoca a queda do preço do petróleo, reduzindo a pressão sobre os custos das cadeias produtivas globais e criando um ambiente favorável à flexibilização monetária.

No mesmo sentido, a CUT define a redução como tímida e afirma que a política monetária ignora sinais positivos da economia interna e o alívio internacional, exemplificado pela baixa no petróleo. A central sindical sustenta que juros em patamares elevados penalizam a classe trabalhadora e beneficiam a lógica do rentismo. A entidade associa a queda de apenas 0,25 ponto aos limites do modelo de autonomia do Banco Central, alegando que a especulação financeira drena recursos públicos que deveriam ser destinados à infraestrutura, educação e saúde para pagar detentores de capital. Para a CUT, a geração de empregos e o desenvolvimento nacional dependem de cortes contundentes, e não de concessões ao mercado.

Já a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) avalia a redução de forma positiva, embora defenda a continuidade do processo. A economista-chefe da entidade, Ieda Vasconcelos, pontua que a Selic ainda se mantém em um nível restritivo, o que encarece o crédito, dificulta o crescimento econômico consistente e adia a tomada de decisões sobre novos investimentos.

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