Economia

Conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã provoca alta do petróleo e inflação global

27 de Maio de 2026 às 09:06

Conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã elevaram os preços do petróleo e as projeções de inflação global. A instabilidade provocou a desvalorização de moedas em mercados emergentes e a migração de capital para o dólar. O FMI alertou que a persistência do cenário pode reduzir o crescimento mundial para 2,5% e elevar a inflação para 5,4%

Conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã provoca alta do petróleo e inflação global
Getty Images

A escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciada no fim de fevereiro, provocou a interrupção do fluxo de mercadorias e do transporte comercial global, resultando na alta dos preços do petróleo e em projeções de inflação acima de 5% para este ano. O cenário de incerteza impulsionou a migração de capital para o dólar americano, tradicionalmente visto como ativo de segurança, o que desestabilizou moedas de mercados emergentes e alterou a dinâmica cambial global.

Países com forte dependência de importação energética, como Índia, Indonésia, Filipinas, Tailândia e Egito, enfrentam desvalorização monetária e escassez de divisas. Na Índia, a rupia recuou cerca de 5% frente ao dólar desde o começo da guerra, atingindo mínimas históricas. A queda dessas moedas encarece a importação de insumos como fertilizantes e plásticos, eleva o preço de alimentos e aumenta o custo do serviço da dívida emitida em moeda americana, já que o petróleo e outros produtos afetados pelo bloqueio no estreito de Ormuz são cotados em dólares.

Para conter a desvalorização, alguns bancos centrais elevaram as taxas de juros e utilizaram reservas de dólares. O Banco da Indonésia, por exemplo, adotou ambas as estratégias, comprando a rupia indonésia para estimular a demanda. Embora a alta dos juros aumente o retorno de economias, ela encarece empréstimos e prestações imobiliárias.

Outro grupo de economias, incluindo México, Chile, Colômbia e África do Sul, apresenta maior volatilidade, com moedas que oscilam conforme o apetite por risco dos investidores ou a variação nos preços de commodities. Já exportadores de energia, como Malásia e Brasil, tiveram receitas de exportação sustentadas pela alta do petróleo. No caso brasileiro, Goldman Sachs e Bank of America destacaram a demanda por ações e títulos públicos em abril, com o Goldman Sachs posicionando o país como sua principal escolha entre os emergentes.

Contudo, o Brasil enfrenta riscos inflacionários devido aos preços da energia e à importação de diesel e gasolina, o que pode retardar a redução das taxas de juros. Soma-se a isso a incerteza política pré-eleitoral de outubro, que eleva o prêmio de risco cambial.

Enquanto isso, o yuan chinês e o rublo russo mantiveram resiliência através de rígidos controles de capital e intervenções estatais. O rublo, especificamente, foi impulsionado pelas altas receitas energéticas e pela obrigatoriedade de exportadores converterem lucros estrangeiros em moeda local.

No mercado de moedas fortes, o dólar e o franco suíço atingiram picos iniciais antes de retornarem aos níveis pré-guerra. A coroa norueguesa valorizou-se com o petróleo bruto, enquanto o iene japonês enfraqueceu devido à dependência energética do Japão. Dólares canadense e australiano também subiram com a alta de metais, minério de ferro, carvão e gás, embora tensões comerciais e a desaceleração global tenham limitado esses ganhos. O euro e a libra esterlina registraram volatilidade sob a pressão da inflação e do crescimento lento na Europa.

Apesar do fortalecimento inicial do dólar, a moeda americana apresentou recuo posterior. Para a AllianceBernstein, esse movimento favorece os mercados emergentes ao facilitar condições monetárias, abrir espaço para cortes de juros e reduzir a aversão ao risco, especialmente porque a dívida desses países e as commodities são denominadas em dólares.

Em contrapartida, o FMI alertou em abril que a persistência do conflito pode levar a economia global a um cenário adverso. Nessa projeção, o crescimento mundial cairia para 2,5%, com a inflação subindo para 5,4% — números inferiores e superiores, respectivamente, às previsões atuais de 3,1% de crescimento e 4,4% de inflação. Em uma hipótese ainda mais severa, o crescimento global poderia recuar para 2%, com a inflação superando os 6%. Novas atualizações do fundo são esperadas para julho.

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