Conflito no Oriente Médio eleva arrecadação petrolífera da Guiana em 370 milhões de dólares semanais
A alta do petróleo Brent para US$ 108, motivada por conflitos no Oriente Médio, elevou as receitas semanais da Guiana em US$ 370 milhões. A produção local já supera 920 mil barris diários, com projeção de crescimento de US$ 4 bilhões na arrecadação governamental este ano
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A Guiana registrou um aumento expressivo em sua arrecadação financeira em decorrência do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que resultou no fechamento do estreito de Ormuz. O cenário de guerra no Oriente Médio elevou a média diária do preço do petróleo bruto Brent para US$ 108, valor significativamente superior aos US$ 62 registrados antes do início das hostilidades.
Esse movimento de alta nos preços, somado à expansão da produção local, impulsionou as receitas petrolíferas do país em US$ 370 milhões por semana, totalizando US$ 623 milhões. A projeção é que as receitas do governo guianense cresçam US$ 4 bilhões este ano em relação às estimativas iniciais para 2026. No campo da extração, a produção atual já ultrapassa 920 mil barris por dia, superando a meta de 892 mil barris prevista para dezembro de 2025. A expectativa é que a média de produção atinja um milhão de barris diários em 2026.
Com a exploração de hidrocarbonetos iniciada há seis anos, a Guiana tornou-se a economia de crescimento mais rápido do mundo, com expansão média anual de 40,9% desde 2020. Em 2025, a arrecadação proveniente do petróleo somou aproximadamente US$ 2,5 bilhões, representando 37% do orçamento estatal. Para 2026, as estimativas pré-guerra previam US$ 2,8 bilhões.
A estrutura de partilha de lucros define que 75% dos valores sejam destinados à recuperação de investimentos das empresas petrolíferas, enquanto o Estado recebe 14,5% (12,5% de lucro e 2% de royalties). Após a recuperação do capital inicial, a fatia do governo sobe para 50% dos lucros, além dos royalties. A valorização do barrudo devido à crise no Irã acelerou o prazo para que as empresas recuperem esses investimentos, embora novos aportes financeiros possam manter a fórmula de partilha atual.
Os recursos são geridos por meio do Fundo de Recursos Naturais, que detinha cerca de US$ 3,8 bilhões em março deste ano. A legislação do fundo visa evitar gastos excessivos e garantir a alocação em prioridades de desenvolvimento e gerações futuras. Esse fluxo financeiro acelerou obras de infraestrutura, como a construção de escolas, estradas e centros de saúde, além de viabilizar o pagamento de um bônus de US$ 500 a cidadãos maiores de 18 anos.
Apesar do boom econômico, a Guiana enfrenta repercussões negativas da crise global. A inflação reduziu o poder de compra da população, com alta nos preços dos combustíveis e um aumento de aproximadamente 25% nos alimentos, reflexo do encarecimento de fertilizantes e insumos agrícolas.
No âmbito interno, a gestão dos recursos é alvo de questionamentos sobre transparência e eficiência. Um projeto de transporte de gás para geração de energia elétrica no continente apresenta atrasos e pedidos de aditivos contratuais na casa dos centenas de milhões de dólares. Esse cenário contribui para a persistência da pobreza e da falta de moradia, mantendo a desigualdade social e a estagnação dos salários reais da maioria da população.