Copom reduz taxa Selic para 14,25% ao ano no terceiro corte consecutivo
O Copom reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano, marcando o terceiro corte consecutivo. O Banco Central baseou a decisão em projeções do Boletim Focus e na diretriz de não reagir totalmente a choques de oferta
A taxa Selic recuou para 14,25% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), consolidando o terceiro corte consecutivo do indicador, que anteriormente estava em 14,50%. A decisão do Banco Central de manter a trajetória de queda ocorreu mesmo diante de projeções inflacionárias mais pessimistas para os próximos anos.
A instituição fundamentou a medida na diretriz de não reagir integralmente a variações de preços causadas por choques de oferta. Entre os fatores que pressionaram os custos de bens e serviços, o Banco Central destacou a guerra no Oriente Médio, com reflexos nos preços globais do petróleo e combustíveis, além dos impactos climáticos do El Niño.
A estratégia visou alinhar a taxa de juros às expectativas do Boletim Focus, que previa a redução. Para o Banco Central, evitar discrepâncias com as projeções do mercado previne a volatilidade excessiva de agregados macroeconômicos e de ativos financeiros, o que poderia prejudicar a convergência da inflação para a meta. Sob essa lógica, a inflação deve retornar ao objetivo no primeiro trimestre de 2028.
Atualmente, o Banco Central opera sob o sistema de meta contínua, estabelecido desde o início de 2025 com um centro de 3% e margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Como as alterações na Selic levam de seis a 18 meses para impactar a economia, a autoridade monetária baseia suas decisões em projeções futuras, focando, no momento, no fechamento de 2027.
Para o próximo ano, há uma divergência entre as estimativas: o mercado financeiro projeta um IPCA de 4,15%, enquanto o Banco Central estima 3,7%. Ambos os números superam a meta central de 3%, mas esse distanciamento não impediu a redução dos juros nas duas últimas reuniões do Copom, ocorridas em ano eleitoral.