Economia

Critical Metals Corp recebe autorização para operar planta-piloto de terras raras na Groenlândia

12 de Maio de 2026 às 12:29

A Critical Metals Corp recebeu autorização para operar uma planta-piloto de terras raras em Qaqortoq, na Groenlândia, a partir de maio de 2026. A instalação validará a separação de disprósio e térbio, com extração inicial de 150 toneladas em junho de 2026 e produção comercial prevista para 2028 ou 2029

Critical Metals Corp recebe autorização para operar planta-piloto de terras raras na Groenlândia
Paisagem do sul da Groenlândia onde fica o projeto Tanbreez.

A Critical Metals Corp (Nasdaq CRML), detentora de 92,5% do projeto Tanbreez, recebeu autorização para iniciar a operação de sua planta-piloto em Qaqortoq, no extremo sul da Groenlândia. A instalação, projetada com isolamento térmico industrial similar ao utilizado em quebra-gelos nucleares russos para suportar temperaturas abaixo de zero entre outubro e abril, entrará em operação em maio de 2026. O cronograma prevê a extração de uma amostra inicial de 150 toneladas em junho do mesmo ano, com a produção em escala comercial estimada para o final de 2028 ou início de 2029.

O empreendimento foca na exploração de uma formação de kakortokite que abriga ao menos 45 milhões de toneladas em recursos minerais, configurando uma das maiores reservas de terras raras em rocha hospedeira eudialita. A planta-piloto é fundamental para validar a rota química necessária para a separação de disprósio e térbio, elementos essenciais para a fabricação de equipamentos militares avançados, turbinas eólicas e motores elétricos. A viabilidade técnica desse processo é a condição determinante para o cumprimento do calendário de produção, sob risco de atrasos no cronograma de 2029.

O avanço do Tanbreez ocorre em um cenário de dependência global, onde a China processa aproximadamente 70% das terras raras refinadas do mundo há mais de cinco anos. O projeto é apoiado pelo governo dos Estados Unidos, no âmbito de discussões bilaterais com a Groenlândia na Casa Branca, posicionando-se como uma alternativa ocidental ao monopólio chinês. A agilidade do projeto groenlandês contrasta com iniciativas nos EUA e Austrália, que levam de 10 a 15 anos para iniciar a produção, e com projetos no Canadá e Austrália que ainda não possuem planta-piloto.

A operação enfrenta desafios logísticos severos, dado que a região carece de rodovias e ferrovias. O transporte do concentrado será realizado por embarcações exclusivamente entre julho e setembro. A distância entre Qaqortoq e o porto mais próximo da costa leste americana é de 4.500 km, resultando em viagens de carga que duram entre sete e dez dias. Para viabilizar a base operacional, a Critical Metals adquiriu uma residência local para transformar em escritório e estabeleceu parcerias com a Universidade do Ártico para a capacitação de mão de obra.

No mercado financeiro, as ações da CRML, listada na Nasdaq desde 2024, registraram alta superior a 30% após a concessão final do projeto, que incluiu a aprovação do governo da Groenlândia para a transferência de 50,5% da propriedade para a empresa. Em termos de volume, o Tanbreez projeta atingir, em sua maturidade industrial, níveis de produção comparáveis aos 40 mil toneladas anuais do projeto Mountain Pass, nos Estados Unidos.

O modelo de implementação da Critical Metals serve de referência para outros países com reservas significativas, como o Brasil. De acordo com o Serviço Geológico Brasileiro, os depósitos de Catalão (GO) e Araxá (MG) somam centenas de milhões de toneladas. Atualmente, o Brasil exporta apenas o concentrado primário, mas planeja a instalação de sua primeira planta industrial de óxidos de terras raras em Minas Gerais, projeto que segue em fase de licenciamento e captação de investimentos.

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