Custo do projeto de defesa espacial Golden Dome for America pode chegar a 1,2 trilhão de dólares
O projeto de defesa espacial "Golden Dome for America" deve custar 1,2 trilhão de dólares em 20 anos, segundo a Agência de Orçamento do Congresso dos EUA. O sistema prevê a implementação de 7.800 satélites interceptores e três níveis de defesa terrestre contra mísseis e veículos hipersônicos. O Pentágono solicitou 17 bilhões de dólares para o exercício fiscal de 2027
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O projeto de defesa espacial "Golden Dome for America" (GDA), estabelecido por decreto executivo de Donald Trump em janeiro de 2025, deve custar 1,2 trilhão de dólares em um período de 20 anos. O montante, estimado pela Agência de Orçamento do Congresso (CBO) dos EUA, é aproximadamente sete vezes superior aos 185 bilhões de dólares projetados pelo Pentágono para os próximos 10 anos.
A maior parcela do investimento, correspondente a 60% do total, concentra-se na camada espacial. Este componente consiste em uma constelação de 7.800 satélites com interceptores para a destruição de veículos hipersônicos e mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) no espaço. Cada unidade tem custo estimado em 22 milhões de dólares e vida útil de cinco anos, totalizando 740 bilhões de dólares em duas décadas. O sistema conta ainda com sensores espaciais avaliados em 90 bilhões de dólares e infraestruturas de comunicação e gerenciamento de combate.
A defesa terrestre é estruturada em três níveis. A camada superior possui três instalações com 60 interceptores de nova geração para ICBMs. A segunda camada compreende quatro bases em território americano, equipadas com 48 interceptores SM-3 Block IIA para neutralizar ameaças em trajetórias altas, incluindo veículos hipersônicos e ICBMs. O setor regional, a terceira camada, distribui 35 instalações pelo país com sistemas Patriot, SM-6 Block IB e radares THAAD, capazes de atuar contra mísseis de cruzeiro, ICBMs e veículos hipersônicos.
Apesar do volume de recursos, a CBO indica que o escudo não seria impenetrável. A estimativa é que o sistema consiga responder a ataques de escala menor, vindos de Rússia ou China, ou a ofensivas de adversários regionais como a Coreia do Norte, mas que ficaria sobrecarregado em um ataque massivo de uma potência equivalente. O relatório ressalta que a eficácia estratégica é incerta, pois a percepção de um sistema incompleto por parte dos rivais poderia incentivar a concretização dos ataques que a rede visa evitar.
No plano financeiro imediato, o Pentágono solicitou 17 bilhões de dólares para o exercício fiscal de 2027, além de 400 milhões de dólares no orçamento base. Somando-se aos 25 bilhões de dólares recebidos no exercício de 2026, o investimento torna-se expressivo. A projeção pública do Pentágono sofreu um acréscimo de 10 bilhões de dólares desde o início do programa, mas pode não abranger a totalidade do sistema. No mês passado, a Força Espacial destinou até 3,2 bilhões de dólares, via 20 contratos com 12 empresas, para o desenvolvimento de interceptores espaciais com integração prevista para 2028.
O general Michael Guetlein, diretor do programa, contestou as projeções da CBO em conferência realizada em março, em Arlington, Virgínia. Ele argumentou que as estimativas externas são imprecisas por ignorarem detalhes de uma arquitetura majoritariamente sigilosa. Guetlein afirmou que busca manter os custos dentro da base do programa através do uso de nós de comunicação e infraestruturas existentes, além de parcerias com a Direção de Pesquisa e Engenharia e laboratórios nacionais para aplicar tecnologias de nova geração que reduzam o custo por neutralização e ampliem a capacidade de munição.