Economia

Diretor do Banco Central defende redução da taxa Selic diante de choques de oferta

25 de Junho de 2026 às 15:05

O Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,5% para 14,25% ao ano. A decisão baseia-se na premissa de que a política monetária não deve reagir integralmente a choques de oferta. A instituição mantém a meta de inflação de 3% com foco no horizonte de 18 meses

O Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,5% para 14,25% ao ano na semana passada, decisão defendida nesta quinta-feira (25) por Paulo Picchetti, diretor de Política Econômica da instituição. A justificativa para o corte baseia-se na premissa de que a política monetária não deve reagir integralmente a choques de oferta — eventos inesperados que alteram custos ou disponibilidade de bens e serviços e que não são influenciados pela taxa de juros.

Picchetti exemplificou a natureza desses choques comparando-os a um "hematoma", argumentando que a elevação dos juros não teria impacto sobre o fechamento do Estreito de Ornuz, ocorrido nos últimos meses devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã. Esse evento foi um dos fatores centrais na pressão sobre os preços dos combustíveis, elevando a inflação atual e as expectativas futuras.

A autoridade monetária mantém o foco no "horizonte relevante", que consiste em perseguir a meta de inflação de 3%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, com base na projeção de preços para 18 meses adiante. Atualmente, o Banco Central mira o fechamento do ano de 2027. Embora a instituição tenha mencionado o primeiro trimestre de 2028 em comunicados oficiais, Picchetti esclareceu que isso ocorreu apenas para demonstrar que as projeções recuam com mais força nesse período, à medida que os efeitos do El Niño e do conflito no Irã se dissipam, sem que isso signifique uma alteração no horizonte relevante da política.

O sistema de metas, implementado sob o modelo de meta contínua desde o início de 2025, define o objetivo central em 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. A definição da Selic considera as projeções futuras e não a variação de preços dos meses anteriores, visto que as alterações nos juros levam de seis a 18 meses para impactar plenamente a economia.

Apesar de o mercado financeiro ter estimado, na semana passada, um IPCA de 4,15% para o próximo ano — valor superior à projeção de 3,7% do Banco Central e acima da meta de 3% —, a instituição optou por baixar os juros nas duas últimas reuniões do Copom. No comunicado da decisão recente, o Banco Central afirmou que trajetórias alternativas que garantam a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028 são compatíveis com a suavização da variação dos agregados macroeconômicos.

Com informações de G1

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