Dívida Pública Federal sobe para R$ 8,798 trilhões em abril com recorde de emissões de títulos
A Dívida Pública Federal subiu 1,91% em abril, atingindo R$ 8,798 trilhões, impulsionada por emissões recordes de R$ 201,09 bilhões em títulos da DPMFi. A Dívida Pública Federal externa cresceu 1,28%, chegando a R$ 335,88 bilhões, enquanto a reserva financeira saltou para R$ 1,091 trilhão

A Dívida Pública Federal (DPF) registrou alta de 1,91% em abril, saltando de R$ 8,633 trilhões, contabilizados em março, para R$ 8,798 trilhões. O movimento foi impulsionado por um volume recorde de emissões de títulos da DPMFi, que somaram R$ 201,09 bilhões no mês, marca inédita na série histórica. Esse resultado reflete a substituição de papéis vinculados à Taxa Selic vencidos no período e a resposta do Tesouro Nacional à demanda de investidores.
A composição do endividamento tornou-se mais concentrada em títulos atrelados aos juros básicos da economia, que passaram de 47,71% para 48,59% da DPF. Os papéis corrigidos pela inflação subiram de 26,67% para 26,76%, enquanto os prefixados recuaram de 21,80% para 20,85% e os vinculados ao câmbio caíram de 3,83% para 3,8%. O interesse por títulos Selic é reflexo das elevações promovidas pelo Copom até meados do ano passado.
O custo do endividamento é pressionado pela apropriação mensal de juros, processo em que o governo incorpora a correção dos títulos ao estoque da dívida, atualmente com a Selic em 14,5% ao ano. Paralelamente, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) cresceu 1,28%, subindo de R$ 331,64 bilhões para R$ 335,88 bilhões. Mesmo com a desvalorização do dólar em 4,42% no mês, motivada pela alta do petróleo, o indicador subiu devido a uma emissão de 5 bilhões de euros realizada em meados de abril.
No campo da liquidez, o colchão da dívida pública — reserva financeira para enfrentar turbulências ou picos de vencimentos — subiu de R$ 885 milhões em março para R$ 1,091 trilhão em abril, resultado de emissões superiores aos resgates. Atualmente, esse montante cobre 8,91 meses de vencimentos, sendo que a previsão para os próximos 12 meses é o vencimento de R$ 1,649 trilhão em títulos federais. Vale notar que, em abril, os resgates totalizaram R$ 133,05 bilhões, volume elevado por ser o primeiro mês do trimestre, período de concentração de vencimentos de títulos prefixados.
O prazo médio para o refinanciamento da DPF teve leve alta, passando de 4,1 para 4,12 anos. Quanto à custódia da dívida interna, as instituições financeiras detêm a maior fatia, com 31,46%, seguidas por fundos de pensão (22,32%), fundos de investimento (22,17%), demais grupos (13,66%) e não residentes (10,38%). A participação de estrangeiros recuou em relação aos 10,7% de março, movimento atribuído à tensão no mercado financeiro causada pelo conflito no Oriente Médio.
As projeções do Plano Anual de Financiamento (PAF) indicam que o estoque da DPF deve encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Para o fechamento deste ano, o plano prevê que os títulos vinculados à Selic fiquem entre 46% e 50%; os corrigidos pela inflação, entre 23% e 27%; os prefixados, entre 21% e 25%; e os cambiais, entre 3% e 7%.