Dívida Pública Federal ultrapassa R$ 9 trilhões em maio impulsionada por títulos atrelados à Selic
A Dívida Pública Federal atingiu R$ 9,033 trilhões em maio, alta de 2,66% frente ao mês anterior, impulsionada por títulos atrelados à Selic. O Tesouro Nacional registrou emissões recordes de R$ 166,23 bilhões em papéis da DPMFi e elevou a reserva de liquidez para R$ 1,211 trilhão. A dívida externa subiu para R$ 340,49 bilhões no período

A Dívida Pública Federal (DPF) ultrapassou a marca de R$ 9 trilhões em maio, registrando um crescimento de 2,66% em comparação ao mês anterior, quando o estoque era de R$ 8,798 trilhões. Segundo dados do Tesouro Nacional divulgados nesta sexta-feira (26), o montante fechou o período em R$ 9,033 trilhões. O avanço foi impulsionado, principalmente, pela emissão expressiva de títulos atrelados à Taxa Selic, que atualmente está em 14,25% ao ano.
O Tesouro Nacional emitiu R$ 166,23 bilhões em títulos da DPMFi no mês passado, volume recorde para a série histórica. Esse movimento ocorreu para atender à demanda de investidores e substituir papéis vinculados à Selic que venceram em março. No mesmo período, os resgates somaram R$ 30,62 bilhões, valor considerado baixo por ser o segundo mês de um trimestre, período que costuma concentrar menos vencimentos.
A composição da dívida refletiu essa estratégia de emissão. Os títulos vinculados à Selic subiram de 48,59% para 48,99% da DPF, enquanto os prefixados passaram de 20,85% para 21%. Já os papéis corrigidos pela inflação recuaram de 26,76% para 26,26%, e os vinculados ao câmbio caíram de 3,8% para 3,75%. O Plano Anual de Financiamento (PAF) projeta que, até o fim do ano, os títulos Selic fiquem entre 46% e 50%, os corrigidos pela inflação entre 23% e 27%, os prefixados entre 21% e 25% e os cambiais entre 3% e 7%.
A Dívida Pública Federal externa (DPFe) também apresentou alta, subindo 1,28%, de R$ 335,88 bilhões em abril para R$ 340,49 bilhões em maio, reflexo da valorização de 1,37% do dólar.
Apesar do crescimento do estoque, o Tesouro Nacional ampliou o colchão de liquidez — reserva financeira para momentos de instabilidade ou concentração de vencimentos. O montante saltou de R$ 1,091 trilhão em abril para R$ 1,211 trilhão em maio, o maior patamar desde novembro de 2025, resultado de emissões superiores aos resgates. Atualmente, essa reserva cobre 9,14 meses de vencimentos, sendo que a previsão para os próximos 12 meses é o vencimento de R$ 1,804 trilhão em títulos federais.
O prazo médio para o governo renovar a dívida pública sofreu redução, caindo de 4,12 para 4,07 anos. No quesito detentores da dívida interna, as instituições financeiras detêm a maior fatia, com 31,54%, seguidas por fundos de pensão (22,92%), fundos de investimento (21,74%), demais grupos (13,67%) e não residentes (10,14%). A participação de estrangeiros recuou em relação aos 10,38% de abril, movimento atribuído à tensão no mercado financeiro causada pela guerra no Oriente Médio.
O endividamento do governo é pressionado mensalmente pela apropriação de juros, processo em que a correção dos títulos é incorporada ao estoque da dívida. Mesmo com a trajetória ascendente, o indicador permanece dentro do previsto no PAF, que estima que a DPF encerre 2026 em um intervalo entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Para efeito de comparação, a barreira de R$ 8 trilhões havia sido superada em agosto do ano passado.