Dólar fecha acima de R$ 5 e atinge o patamar mais elevado em um mês
O dólar comercial fechou a sexta-feira (15) acima de R$ 5, com alta semanal de 3,48%, enquanto o Ibovespa recuou 0,61% para 177.284 pontos. O cenário foi influenciado pela aversão ao risco, inflação global e expectativas de alta de juros nos Estados Unidos e no Japão. O petróleo Brent subiu 3,35%, encerrando a US$ 109,26

O dólar comercial encerrou a sexta-feira (15) acima de R$ 5, atingindo o patamar mais elevado em um mês e acumulando alta de 3,48% na semana. A moeda estrangeira alcançou o maior valor desde 8 de abril, quando havia fechado a R$ 5,10, embora apresente queda de 7,70% no acumulado de 2026. Paralelamente, o índice Ibovespa fechou aos 177.284 pontos, com recuo de 0,61%, após operar sob pressão durante todo o pregão e chegar a registrar queda superior a 1% no período da manhã, recuperando parte das perdas com o suporte das ações da Petrobras.
A valorização da moeda americana e a retração dos ativos brasileiros foram impulsionadas por um cenário de aversão ao risco. No exterior, a inflação global persistente, alimentada pela alta do petróleo e tensões geopolíticas entre Irã e Estados Unidos, elevou as apostas de que o Federal Reserve possa aumentar os juros americanos. Esse movimento foi intensificado pela disparada dos títulos públicos do Japão, com os papéis de dez anos atingindo 2,37% — o maior nível desde 1999 — e os de 30 anos superando os 4%, após a inflação ao produtor japonesa acelerar para 4,9% em abril.
Essa perspectiva de juros mais altos no Japão provocou a reversão de operações de *carry trade*, nas quais capitais de países com taxas baixas são migrados para mercados de juros elevados, como o Brasil, resultando em retirada de recursos de economias emergentes e fortalecimento do dólar. No âmbito doméstico, a busca por proteção na moeda americana foi ampliada por incertezas políticas ligadas ao senador Flávio Bolsonaro e ao banqueiro Daniel Vorcaro, somadas a reportagens sobre a relação do deputado cassado Eduardo Bolsonaro com o Banco Master.
O desempenho da B3 acompanhou a tendência de Nova York, onde o S&P 500 caiu 1,23% devido à expectativa de juros prolongados nos Estados Unidos. No mercado de commodities, o petróleo subiu mais de 3% em razão do impasse nas negociações sobre o Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de 20% do petróleo global. O barril Brent fechou com alta de 3,35%, a US$ 109,26, enquanto o WTI avançou 4,2%, encerrando a US$ 105,42.
A volatilidade financeira foi acentuada por declarações de Donald Trump sobre a falta de paciência com o Irã, enquanto o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, condicionou novas negociações à seriedade de Washington. A crise prolongada no Golfo Pérsico mantém a pressão sobre a inflação global e, consequentemente, sobre as taxas de juros.