Empresas chinesas detêm 85% do mercado de ônibus elétricos na América Latina
Empresas chinesas detêm 85% do mercado de ônibus elétricos na América Latina, com a BYD liderando a frota regional. O setor cresceu de menos de mil unidades em 2017 para mais de 6 mil em 2024. No Brasil, a BYD produz anualmente mais de 3 mil chassis em sua planta de Campinas
Empresas chinesas detêm 85% do mercado de ônibus elétricos na América Latina, consolidando um domínio industrial que deixou os fabricantes europeus com apenas 1,9% da frota regional. O cenário, classificado pelo relatório da Idle Giants como decisivamente desequilibrado, reflete a incapacidade de marcas tradicionais competirem em preço, escala e agilidade de entrega contra os novos entrantes.
A expansão do setor foi acelerada: a frota de veículos elétricos na região saltou de menos de mil unidades em 2017 para mais de 6 mil em 2024, registrando um crescimento médio anual superior a 30%. A BYD lidera a concentração com 43,7% do total de veículos, seguida por outras companhias da China, como King Long, Higer e Yutong.
A vantagem competitiva chinesa baseia-se na escala de produção doméstica e no controle de custos de baterias, o componente mais caro dos veículos. Enquanto a Europa contou com políticas públicas e metas de emissões que sustentaram seus fabricantes durante a transição energética, a América Latina operou com mecanismos fragmentados, priorizando o custo e o volume de entrega.
No Brasil, a BYD reforçou sua posição ao estabelecer produção local. A planta de Campinas, ativa desde 2015, possui capacidade para fabricar mais de 3 mil chassis de ônibus elétricos anualmente. Essa estratégia de industrialização no país facilita o acesso a linhas de crédito e financiamentos públicos que exigem conteúdo nacional, além de integrar a empresa à cadeia produtiva e ao mercado de trabalho brasileiro.
A adoção em larga escala foi impulsionada principalmente por Bogotá e Santiago, com o Brasil apresentando um avanço mais gradual, porém consistente.
Essa mesma dinâmica de mercado começa a se repetir no segmento de caminhões elétricos. Embora a eletrificação do transporte de carga ainda represente cerca de 2% das vendas totais, o setor cresceu quase 80% em 2024. No primeiro semestre de 2025, foram comercializadas aproximadamente 90 mil unidades, volume que praticamente iguala todo o ano anterior.
O relatório da Idle Giants indica que a pressão competitiva chinesa já atinge a Europa, exemplificada pela instalação de uma fábrica da BYD na Hungria. O cenário latino-americano serve como indicador de que, na ausência de políticas de proteção a fabricantes locais, a disputa é decidida por escala e preço, colocando em risco a relevância de marcas como Mercedes-Benz, Scania e Volvo.