Empresas de deep tech demandam mais capital que startups generalistas para atingir escala comercial
Relatório "The 2025 European Deep Tech Report" indica que empresas de tecnologia profunda demandam 392 milhões de dólares em financiamento para faturar 100 milhões, valor superior aos 113 milhões de startups generalistas. O documento aponta que a Europa investiu mais que a Ásia entre 2015 e 2024, mas permanece atrás dos Estados Unidos em escalabilidade
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F918%2Faae%2Fcba%2F918aaecba4457c233963847802cb0817.jpg)
Empresas de "tecnologia profunda" (*deep tech*) exigem um volume de capital significativamente maior para atingir a escala comercial do que startups de tecnologia generalista. Para alcançar um faturamento de 100 milhões de dólares, uma companhia de *deep tech* necessita de 392 milhões de dólares em financiamento, enquanto outras startups atingem a mesma marca com 113 milhões de dólares, conforme aponta o relatório "The 2025 European Deep Tech Report".
Essa disparidade financeira reflete a natureza do setor, que engloba áreas como computação quântica, robótica, biotecnologia e ciência aeroespacial. O desenvolvimento dessas soluções demanda ciclos de I+D mais longos e investimentos iniciais elevados, o que torna a industrialização e a comercialização de protótipos as fases mais críticas para a captação de recursos.
No cenário global, a Europa apresenta um desempenho misto. Dados da Science Business indicam que, entre 2015 e 2024, o continente superou a Ásia em volume de investimento em *deep tech*. No entanto, a região permanece distante dos Estados Unidos, que lideram a escalabilidade empresarial devido a um mercado mais integrado, maior tolerância ao risco e massivo reinvestimento de grandes empresas de tecnologia em pesquisa e desenvolvimento.
A China também se consolida como concorrente direta, detendo 25% do mercado global de inteligência artificial por meio de estratégias industriais de longo prazo lideradas pelo Estado, especialmente em urbanização e clima. Em contrapartida, a Europa registra um retrocesso no registro de patentes de tecnologia profunda, com exceção de um único segmento.
Dentro do território europeu, a Espanha apresenta um volume de investimentos crescente no último ano, embora o número de transações tenha caído levemente. O país ainda ocupa posição inferior a Reino Unido, França, Alemanha, Suécia, Suíça e Países Baixos.
Para reverter a fragmentação de mercados e a lentidão na transferência de tecnologia das universidades, especialistas discutem a implementação de "capital paciente" — fundos com prazos de maturação adequados ao setor — e a criação de pontes entre a pesquisa científica e o mercado. Uma iniciativa nesse sentido é a BSC AI Factory, impulsionada pela União Europeia, que oferece infraestrutura de IA para startups e pesquisadores.
A viabilidade de novas empresas no setor depende agora de três pilares: tecnologia defensável que resolva problemas reais, equipes que unam rigor científico a visão de negócios e a existência de mercados globais. No campo da saúde, por exemplo, a Asabys Partners lançou um fundo de 100 milhões de euros, com 75% de financiamento do Centro para o Desenvolvimento Tecnológico e da Inovação (CDTI), focado justamente na transferência tecnológica.
Apesar dos desafios de financiamento, a complexidade técnica dessas soluções atua como uma barreira de entrada contra a concorrência, tornando os produtos de *deep tech* muito mais difíceis de replicar do que modelos de negócios digitais convencionais. O gargalo final, contudo, permanece na escassez global de talentos multidisciplinares capazes de transitar entre a ciência teórica e o desenvolvimento de sistemas reais.