Entidades industriais propõem agenda de negociações para evitar tarifas dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras
CNI, Amcham e U.S. Chamber propuseram aos governos do Brasil e dos Estados Unidos uma agenda de negociação em duas etapas para evitar tarifas sobre exportações brasileiras. A iniciativa prioriza a resolução da investigação da Seção 301 e a ampliação do acesso a mercados de bens de capital, insumos industriais e infraestrutura tecnológica. O grupo solicita cooperação regulatória, extensão da moratória da OMC sobre transmissões eletrônicas e agilidade no exame de patentes

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Amcham e o U.S. Chamber propuseram a criação de uma agenda de negociação estruturada em duas etapas para fortalecer a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. O objetivo central da iniciativa, formalizada em carta conjunta, é evitar a imposição de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras.
A proposta do setor privado prioriza, no curto prazo, a resolução da investigação conduzida sob a Seção 301 da legislação americana. Esse movimento ocorre após a intensificação do diálogo bilateral, marcada pelo encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado em maio.
Para a fase imediata, as entidades sugerem a concentração de esforços em temas de alto impacto econômico. Entre as prioridades estão a ampliação do acesso a mercados para bens de capital, insumos industriais e produtos destinados à infraestrutura de inteligência artificial, data centers e segurança energética. O grupo também defende a cooperação regulatória nos segmentos de saúde animal, farmacêutico, dispositivos médicos e automotivo.
No âmbito normativo e técnico, a carta solicita apoio para a extensão da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) referente à isenção de impostos de importação sobre transmissões eletrônicas. No Brasil, as entidades pedem maior agilidade no exame de patentes e a redução do estoque de pedidos, com foco nos setores biofarmacêutico e de saúde, além do combate à contrafação e pirataria.
A agenda prevê ainda a cooperação em minerais críticos, abrangendo mapeamento geológico, pesquisa, desenvolvimento e investimentos para processamento e agregação de valor, visando cadeias de fornecimento resilientes. Por fim, o documento requer a implementação integral do Protocolo Anticorrupção do Acordo de Cooperação Econômica e Comercial (ATEC).
O documento foi endereçado aos ministros Marcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Mauro Vieira (Relações Exteriores), bem como ao representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio.