Entrega da usina Hinkley Point C na Inglaterra é adiada para 2030
A EDF Energy adiou para 2030 a entrega da primeira unidade da usina Hinkley Point C, na Inglaterra, devido a falhas eletromecânicas. O custo do projeto subiu de £ 18 bilhões para £ 35 bilhões em valores originais, com estimativa de £ 48 bilhões após ajuste inflacionário

A entrega da primeira unidade da usina Hinkley Point C, em Somerset, no sudoeste da Inglaterra, foi adiada para 2030. O novo cronograma, divulgado pela EDF Energy, altera a previsão inicial de operação, que era para 2025, devido a falhas em equipamentos eletromecânicos detectadas em fevereiro de 2026. O impacto financeiro do atraso elevou o orçamento de £ 18 bilhões para £ 35 bilhões em valores originais. Quando ajustado pela inflação para 2026, o custo total estimado chega a £ 48 bilhões.
O projeto apresenta um custo de 1,1 bilhão de libras por megawatt instalado, valor 12 vezes superior à média global. Para mitigar a viabilidade, o governo britânico assegurou um preço fixo de £ 92,50/MWh por 35 anos, tarifa que supera a média europeia.
A usina utiliza a tecnologia EPR (European Pressurised Reactor), a mesma implementada na unidade Olkiluoto 3, na Finlândia, ativa desde 2023. O complexo é composto por duas unidades de 1.630 megawatts cada, totalizando uma capacidade para abastecer 6 milhões de residências e suprir cerca de 7% da demanda elétrica do Reino Unido em horários de pico. A estrutura foi projetada para operar por 60 anos sem a necessidade de manutenções pesadas.
Em termos de infraestrutura, o canteiro de obras ocupa 174 hectares e mobilizou até 12 mil trabalhadores em seu pico. Até maio de 2026, foram aplicadas 4 milhões de toneladas de concreto e 230 mil toneladas de aço estrutural. O impacto econômico local incluiu a destinação de 60% dos contratos a empresas britânicas e a formação de 25 mil aprendizes técnicos.
No aspecto técnico, a unidade 2 recebeu seu segundo vaso de pressão do reator em janeiro de 2026. O gerador a vapor do projeto possui 25 metros de altura e pesa 500 toneladas. As próximas etapas incluem a soldagem do reator entre julho de 2026 e dezembro de 2027, seguida pelo carregamento de combustível nuclear em 2028 e a sincronização com a rede elétrica em 2030, embora persistam riscos de novos atrasos eletromecânicos.
A composição societária do empreendimento é dividida entre a francesa EDF, com 66,5%, e a China General Nuclear Power Corporation (CGN), com 33,5%. Apesar de o governo britânico ter manifestado em 2022 a intenção de adquirir a fatia chinesa na futura usina Sizewell C por questões de segurança nacional, a CGN mantém sua participação integral em Hinkley Point C. A Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) confirmou que a operação seguirá independentemente de eventuais mudanças políticas em 2030.
Em perspectiva comparativa, a unidade 1 de Hinkley Point C atingiu 78% de conclusão após nove anos de obras. No Brasil, a usina Angra 3 apresenta 65% de execução, com previsão de operação comercial para 2031. O projeto brasileiro, iniciado em 1984, soma 42 anos de construção. Atualmente, o Brasil opera 1.405 megawatts em Angra 1 e 2, com a mesma capacidade prevista para Angra 3, enquanto o Plano Decenal de Energia 2034 projeta a implementação de quatro a oito novas usinas nucleares no país.