Economia

Eos Energy investirá US$ 720 milhões na maior bateria de zinco do mundo na Califórnia

19 de Maio de 2026 às 12:47

A Eos Energy Enterprises investirá US$ 720 milhões na construção de uma bateria de zinco de 1 GWh em Mojave, Califórnia, com conclusão prevista para dezembro de 2027. O projeto, voltado a data centers de inteligência artificial, conta com garantia federal de US$ 398 milhões do Departamento de Energia dos Estados Unidos

Eos Energy investirá US$ 720 milhões na maior bateria de zinco do mundo na Califórnia
Foguete SpaceX Starship V3 em plataforma de lançamento em Boca Chica, Texas

A Eos Energy Enterprises investirá US$ 720 milhões na construção da maior bateria de armazenamento em zinco do mundo, localizada em Mojave, Califórnia. Com capacidade de 1 GWh e área de 12 hectares, a instalação será finalizada em dezembro de 2027 e terá como foco o atendimento a data centers de inteligência artificial nos Estados Unidos. O projeto é viabilizado por meio de financiamento do Loan Programs Office, do Departamento de Energia dos Estados Unidos, que aprovou em janeiro de 2026 uma garantia federal de US$ 398 milhões. Esse mecanismo reduz o custo de capital da empresa em 4 pontos percentuais ao ano, permitindo que a obra em Mojave seja financiada a uma taxa de 6,2%, contra os 10,2% praticados pelo mercado privado.

A infraestrutura utilizará a tecnologia Eos Z3, baseada em eletrólito aquoso de cloreto de zinco. Diferente das baterias de lítio, que utilizam eletrólitos orgânicos inflamáveis, o sistema de zinco-aquoso opera entre 0°C e 50°C sem a necessidade de refrigeração ativa ou sistemas de gerenciamento térmico (BMS). Essa característica permite a redução de 40% no espaço ocupado por kWh armazenado. Em termos de desempenho, a tecnologia possui vida útil de 25 anos e suporta 5.000 ciclos completos de carga e descarga. Embora a bateria de zinco seja mais pesada (12 kg por kWh contra 7 kg do lítio), ela apresenta maior eficiência financeira: o custo nivelado de armazenamento (LCOS) cai de US$ 187/MWh, no caso do lítio, para US$ 89/MWh com o zinco aquoso.

A viabilidade econômica do projeto também se apoia na abundância do zinco, o quarto metal mais comum da crosta terrestre, com reservas globais de 230 milhões de toneladas. Com o preço do metal a US$ 2,80/kg em maio de 2026, o custo de matéria-prima da bateria Z3 é de US$ 672 por MWh (considerando o uso de 240 kg de zinco por MWh), o que representa uma vantagem de 65% em relação ao carbonato de lítio, cotado a US$ 9,80/kg no mesmo período.

A demanda por esse armazenamento é impulsionada pelo crescimento dos data centers de IA, que consumiram 5,2% da eletricidade dos Estados Unidos em 2025. A International Energy Agency (IEA) projeta que esse consumo suba para 10,5% até 2030, devido à expansão de modelos como Gemini Ultra e GPT-7. Nesse cenário, a Eos firmou contrato em fevereiro de 2026 com a Microsoft, no valor de US$ 1,2 bilhão, para fornecer energia entre 2026 e 2031 a três data centers localizados em Reno (Nevada) e Phoenix (Arizona).

A empresa, fundada em 2008 por Mike Oster e Steve Hellman e sediada em Edison, Nova Jersey, abriu capital na Nasdaq em 2020 (EOSE), atingindo valor de mercado de US$ 1,8 bilhão em maio de 2026. Sob a gestão de Joe Mastrangelo — engenheiro formado pelo MIT com 22 anos de experiência na General Electric Power Systems —, a fabricante planeja expandir sua operação com mais quatro baterias de 1 GWh em Houston (Texas), Atlanta (Georgia), Reno e Phoenix até 2028. O investimento total para os cinco sites é de US$ 3,5 bilhões, com a projeção de que a receita anual da companhia salte de US$ 60 milhões, em 2025, para US$ 1,4 bilhão em 2030.

No mercado global de baterias de armazenamento, que movimentou US$ 92 bilhões em 2025, a Eos Z3 compete com o Tesla Megapack (que utiliza lítio-ferro-fosfato e custa US$ 1.250/kWh instalado) e o CATL Tener. Enquanto isso, a cadeia de suprimentos de zinco envolve players globais, incluindo o Brasil, que produz 195 mil toneladas anuais do metal. A Nexa Resources, operando a mina de Vazante (MG), exporta o mineral para México, Argentina e Estados Unidos, atendendo indústrias de galvanização e baterias. Apesar do avanço tecnológico, há alertas de ambientalistas sobre a necessidade de monitoramento da extração de zinco para prevenir a contaminação de recursos hídricos em minas americanas.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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