Escassez de memória RAM deve elevar preços de eletrônicos até 2027 devido à inteligência artificial
A escassez global de memória RAM deve elevar os preços de eletrônicos até 2027 devido à priorização de chips de alta largura de banda para data centers de IA. Fabricantes como Samsung, Micron e SK Hynix redirecionaram a produção para o setor corporativo, reduzindo a oferta de componentes para celulares e computadores
A escassez global de memória RAM deve se intensificar nos próximos anos, com a pressão sobre os preços de eletrônicos estendendo-se, no mínimo, até 2027. Relatórios do setor e alertas de empresas como a Samsung, emitidos em abril de 2026, apontam que a alta nos custos dos componentes já é observada desde 2025, com novas elevações previstas para o decorrer de 2026.
O desequilíbrio estrutural do mercado é impulsionado pela expansão dos data centers de inteligência artificial (IA). Atualmente, mais de 70% da DRAM de alto desempenho é direcionada para a nuvem e sistemas de IA generativa, que demandam volumes massivos de memória para processar modelos de linguagem e imagem. Essa priorização de clientes corporativos reduziu a oferta de memórias tradicionais, como DDR4 e DDR5, essenciais para a fabricação de celulares e computadores.
Fabricantes como Micron, SK Hynix e Samsung alteraram suas estratégias produtivas para focar em memórias de alta largura de banda (HBM). Por possuírem maior valor agregado e margens de lucro superiores, esses chips de servidores de IA tornaram-se a prioridade das linhas de produção, restringindo a disponibilidade de componentes para o consumidor final.
O impacto financeiro é significativo, pois a memória RAM pode representar até 30% do valor de um dispositivo. Como o componente está presente em quase todos os eletrônicos modernos, o aumento de custo provoca reajustes globais nos preços finais de venda. Além do encarecimento, a escassez pode gerar retração no mercado de smartphones, atrasos em lançamentos e redução da produção geral, afetando desde o varejo até a indústria.
A recuperação da oferta não será imediata, dado que a construção de novas fábricas de chips demanda investimentos bilionários e leva anos para ser concluída. Esse cenário forçou grandes companhias a adaptar suas operações; a Meta, por exemplo, optou por prolongar a vida útil de seus servidores diante da falta de componentes.
A situação consolida uma mudança na distribuição de recursos tecnológicos, na qual o consumidor comum agora compete diretamente com gigantes como Amazon, Google e Microsoft. Essas corporações garantem prioridade na produção ao adquirir volumes massivos de memória antecipadamente, limitando a capacidade de fornecimento para os fabricantes de eletrônicos de consumo.