Espanha registra mais de 155 mil vagas de emprego abertas por falta de profissionais qualificados
A Espanha possui mais de 155 mil vagas de emprego abertas por falta de profissionais qualificados. O Instituto de Ciências do Emprego e das Relações Laborais propõe a modernização dos serviços de intermediação por meio da inteligência artificial
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2Fe28%2Fac6%2Fed9%2Fe28ac6ed9355945097de1d2da74b605f.jpg)
A Espanha registra atualmente mais de 155 mil postos de trabalho vagos, evidenciando um descompasso entre a oferta de vagas e a disponibilidade de profissionais qualificados, apesar do volume de pessoas desempregadas no país. O cenário é detalhado no relatório "Serviços profissionais de emprego: infraestrutura estratégica do mercado de trabalho", elaborado pelo Instituto de Ciências do Emprego e das Relações Laborais (ICER).
Para reverter esse quadro, o instituto propõe a modernização dos serviços de emprego por meio da inteligência artificial. A tecnologia é apontada como ferramenta capaz de otimizar a orientação profissional, a conexão entre candidatos e postos de trabalho, a qualificação da mão de obra e a detecção antecipada de demandas empresariais. Contudo, Alejandro Costanzo, secretário-geral do ICER, ressalta que a implementação deve ser segura para evitar a desumanização dos processos e a exclusão de indivíduos com menor acesso tecnológico.
A reconfiguração do mercado é impulsionada por fatores como a transição ecológica, o envelhecimento demográfico, a IA e a escassez de talentos em regiões e setores específicos. Nesse contexto, o ICER defende que empresas de seleção, formação e recolocação sejam tratadas como parte da infraestrutura estratégica do mercado, e não apenas como intermediárias. O instituto observa que a contratação de profissionais *inhouse* tem crescido, oferecendo maior flexibilidade para as organizações e novas trajetórias para os trabalhadores.
O relatório indica que a Lei 3/2023 de Emprego é o instrumento legal para modernizar o Sistema Nacional de Emprego, permitindo que a intermediação seja fortalecida e que a eficácia do sistema seja medida por resultados concretos, extrapolando a simples contagem de contratações.
A proposta do ICER visa a criação de um ecossistema de emprego inteligente e colaborativo, superando a divisão entre as esferas pública e privada. Enquanto o Estado mantém a responsabilidade por garantir a equidade, a proteção de direitos e a coesão territorial, a execução operacional — que inclui a prospecção de empresas, a formação aplicada e o acompanhamento — pode ser realizada via colaboração com entidades especializadas. Essa integração é vista como essencial para ampliar a capacidade do sistema, especialmente no suporte às pequenas e médias empresas, que enfrentam maiores dificuldades na retenção e busca de talentos.