Estados Unidos ameaçam aplicar tarifas de 100% sobre vinhos franceses por causa de imposto digital
Os Estados Unidos ameaçam impor tarifas de 100% sobre vinhos franceses caso a França revogue o imposto digital de 3% sobre empresas de tecnologia norte-americanas. A medida visa retaliar a tributação GAFAM, que arrecadou US$ 700 milhões no ano passado. O impasse será discutido na cúpula do G7, nesta segunda-feira, em Évian-les-Bains
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Tarifas de 100% sobre os vinhos franceses podem ser impostas pelos Estados Unidos caso a França não elimine o imposto digital aplicado às gigantes de tecnologia norte-americanas. A ameaça, feita por Donald Trump ao presidente Emmanuel Macron, visa a revogação da taxa de 3% incidente sobre a receita local de companhias do Vale do Silício, como Apple, Meta, Amazon e Alphabet. O setor vinícola da França é o alvo da retaliação por movimentar anualmente mais de US$ 2 bilhões, sendo que o mercado americano representa 20% das vendas globais da indústria.
O imposto francês, denominado GAFAM, está em vigor desde 2019 e incide sobre a receita bruta, e não sobre os lucros. No ano passado, a medida arrecadou aproximadamente US$ 700 milhões, conforme dados do Ministério das Finanças francês. Em outubro, a Assembleia Nacional chegou a votar o aumento da alíquota para 6%, embora a decisão tenha sido vetada por ministros. Na ocasião, o então Ministro da Economia, Roland Lescure, advertiu que a cobrança desproporcional resultaria em represálias equivalentes por parte de Washington.
A possibilidade de sanções econômicas retorna com base em uma proposta de 2019 do Representante Comercial dos EUA. Atualmente, um memorando presidencial de fevereiro de 2025 orienta que o Departamento do Tesouro e o Representante Comercial, Jamieson Greer, avaliem a reabertura de uma investigação formal sobre a tributação francesa, sob a justificativa de que empresas americanas não devem sustentar economias estrangeiras com impostos exorbitantes.
O cenário de tensão ocorre enquanto o Palácio do Eliseu afirmava que a disputa tributária havia sido resolvida discretamente. No entanto, a Casa Branca classificou a informação como imprecisa. O impasse deve ser um ponto central na cúpula do G7, que acontece nesta segunda-feira (15), em Évian-les-Bains, na França, reunindo as lideranças de Estados Unidos, França, Canadá, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido.
A indústria de bebidas francesa já foi utilizada anteriormente como moeda de pressão política. Em janeiro de 2026, Trump ameaçou aplicar tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes para tentar forçar a adesão de Macron ao "Conselho da Paz", iniciativa de Washington para mediação de conflitos globais, como a guerra em Gaza.
Esse movimento integra um contexto mais amplo de atritos regulatórios na Europa. Órgãos do continente têm intensificado a fiscalização contra empresas como Microsoft, TikTok, Google, Apple e Meta, aplicando multas bilionárias e investigações relacionadas a práticas antitruste, segurança de dados, privacidade e leis de mercados digitais.