Estados Unidos aplicarão sobretarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho
Os Estados Unidos aplicarão uma sobretarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho. O governo brasileiro repudiou a medida e o presidente Lula afirmou que acionará a lei da reciprocidade. O Departamento de Estado dos EUA também classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas
Os Estados Unidos aplicarão, a partir de 22 de julho, uma sobretarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) após uma investigação comercial de um ano, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, ferramenta utilizada pelo governo americano para combater barreiras comerciais em outras nações. Embora exista uma lista de itens isentos, a decisão gera impactos diretos nas trocas comerciais entre os dois países.
Reações governamentais e a lei de reciprocidade
O governo brasileiro repudiou a sanção, classificando-a como um "marco lastimável" nas relações bilaterais. Em nota oficial, a gestão federal argumentou que não há justificativa para ações unilaterais, destacando que os EUA acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que acionará a lei da reciprocidade. A administração brasileira informou ainda que trabalhou durante o último ano junto ao USTR para encerrar as investigações, apresentando provas contra as alegações de práticas desleais de comércio. O governo também classificou como "descabidas" e "absurdas" as críticas norte-americanas sobre a regulação de plataformas digitais, o sistema Pix e o desmatamento.
Embate político e classificações de segurança
A decisão do USTR é negada como tendo motivação política por autoridades do próprio órgão, embora essa leitura seja defendida por membros do governo brasileiro. No cenário político, o senador Flávio Bolsonaro (PL) atribuiu a responsabilidade do "tarifaço" ao presidente Lula, comparando-o ao ex-presidente Joe Biden e afirmando que a gestão atual representa um perigo para a nação.
O senador interagiu publicamente com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que possui vínculos com a família Bolsonaro desde 2018 e recebeu os filhos do ex-presidente em território americano no mês passado. Rubio defendeu que as políticas do governo brasileiro são prejudiciais a ambos os países e acusou Lula de não negociar de boa-fé.
Paralelamente às tensões comerciais, o Departamento de Estado, sob a gestão de Rubio, anunciou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida ocorreu dois dias após Flávio Bolsonaro afirmar que o secretário de Estado era favorável à designação dessas facções criminosas como grupos terroristas.