Economia

Estados Unidos aplicarão tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho

16 de Julho de 2026 às 12:08

Os Estados Unidos aplicarão uma tarifa adicional de 25% sobre produtos da indústria, agronegócio e serviços digitais brasileiros a partir de 22 de julho. A medida do USTR decorre de uma investigação sobre barreiras comerciais, sendo repudiada pelo governo brasileiro

Os Estados Unidos aplicarão uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho. A medida, confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), é resultado de uma investigação de um ano baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelo governo americano para combater barreiras comerciais estrangeiras.

A sobretaxa incide sobre a indústria, o agronegócio e serviços digitais, embora o USTR tenha divulgado uma lista de itens isentos.

Reações e impactos econômicos

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), alertou que a perda de competitividade imediata pode levar ao fechamento de fábricas e ao endividamento de produtores. Segundo Caiado, a carga tributária total pode atingir 37,5%, caso outras sobretaxas em análise sejam implementadas.

O pré-candidato à Presidência defendeu a adoção da Lei da Reciprocidade Econômica e comparou a situação atual a outros entraves comerciais, citando que a China taxa a carne brasileira em 55% e que a União Europeia vetou o produto.

Divergências políticas e diplomáticas

O governo brasileiro classificou a decisão como um "marco lastimável" e repudiou a medida unilateral. Em nota oficial, o governo destacou que os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.

A gestão federal argumenta que a decisão possui motivação política, ponto contestado por autoridades do USTR em entrevista coletiva. O governo brasileiro também refutou as alegações americanas sobre desmatamento e as críticas direcionadas ao PIX e à regulação de plataformas digitais, afirmando ter apresentado evidências contra as acusações de práticas desleais de comércio durante o ano de investigação.

Embates institucionais

O cenário de tensão envolve críticas mútuas entre lideranças:

  • Marco Rubio: O secretário de Estado dos EUA afirmou que as políticas do governo brasileiro prejudicam ambos os países e acusou o presidente Lula de não negociar de boa-fé.
  • Ronaldo Caiado: Criticou a incapacidade de diálogo de Lula e a postura de Flávio Bolsonaro (PL), que solicitou em audiência pública nos EUA o adiamento do "tarifaço" até as eleições.
  • Luiz Inácio Lula da Silva: Declarou que acionará a lei da reciprocidade e descreveu Marco Rubio como "anti-América Latina".

Notícias Relacionadas