Estados Unidos avaliam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação de práticas comerciais
Os Estados Unidos avaliam a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação do Escritório de Comércio sobre restrições comerciais. O relatório cita questões como regulação de redes sociais, propriedade intelectual, desmatamento e o sistema PIX. O governo brasileiro apresentou defesa formal e propôs a criação de um cronograma para comprovar a legitimidade de suas práticas
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/k/e/1ySLoPReK9VJX3iQCE2Q/dari-durigan.jpeg)
O governo dos Estados Unidos avalia a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre mercadorias brasileiras, após o Escritório de Comércio (USTR) concluir que práticas do Brasil restringem ou oneram o comércio com o país norte-americano. A decisão baseia-se em uma investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O relatório do USTR detalha que as preocupações da gestão de Donald Trump abrangem a regulação de redes sociais, a proteção da propriedade intelectual, o desmatamento ilegal, tarifas preferenciais consideradas desleais e o acesso ao mercado de etanol. No setor financeiro, o órgão aponta que o Banco Central favorece o PIX em relação aos sistemas de pagamentos dos EUA, criticando a atuação da autarquia simultaneamente como operadora e reguladora do sistema, o que limitaria as taxas de concorrentes e imporia o uso da ferramenta.
A cobrança da nova taxa ainda não foi implementada, pois a legislação americana exige a conclusão da investigação formal e a realização de consultas públicas. Em resposta, o governo brasileiro enviou, na última quinta-feira (2), uma defesa formal assinada pelo chanceler Mauro Vieira, organizada por eixos temáticos.
Para tentar reverter o cenário, autoridades de ambos os países mantêm reuniões de trabalho. No encontro virtual mais recente, o Brasil propôs a criação de um "mapa do caminho" para comprovar a legitimidade de suas práticas e demonstrar que elas não prejudicam o comércio estadunidense. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu que a decisão final dos Estados Unidos seja pautada pela racionalidade. Durigan também manifestou preocupação com a interferência em investigações já em curso sobre pessoas e empresas brasileiras que são alvos de sanções dos EUA.