Estados Unidos confirmam aplicação de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após fim de negociações
Os Estados Unidos aplicaram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após o fim do prazo de negociações na quarta-feira (15). O governo brasileiro afirma ter realizado mais de 30 contatos diplomáticos, mas a Casa Branca manteve exigências sobre o PIX e plataformas digitais
Os Estados Unidos confirmaram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, medida anunciada na última quarta-feira (15), data que encerrava o prazo para que ambos os governos alcançassem um consenso nas negociações.
Contexto das negociações e impasses técnicos
A diplomacia brasileira refuta a tese do USTR — órgão de comércio que recomendou a medida após investigação comercial — de que o Brasil não teria buscado negociar. O Itamaraty contabiliza mais de 30 contatos entre as partes, realizados de forma presencial, virtual ou telefônica, abrangendo níveis técnico, ministerial e presidencial. Desse total, 11 interações ocorreram especificamente com Marco Rubio ou Jamieson Greer, todas partindo de iniciativa brasileira.
Apesar de encontros anteriores entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Malásia e em Washington terem gerado a percepção de um cenário favorável, a postura norte-americana mudou nas últimas semanas. Em reuniões recentes, os Estados Unidos apresentaram exigências consideradas inegociáveis, como:
- Alterações no funcionamento do PIX;
- Moratória para plataformas digitais;
- Desconsideração dos argumentos brasileiros sobre o combate ao desmatamento.
Fundamentação jurídica e motivações políticas
Para a equipe presidencial, a decisão de impor as tarifas já estava definida desde o ano passado, quando Donald Trump enviou uma carta ao presidente Lula. O governo brasileiro avalia que a Casa Branca utilizou a Seção 301 para encontrar um instrumento juridicamente legal para a taxação, contornando limites impostos pela Suprema Corte americana a anúncios tarifários, mesmo baseando-se em argumentos sem suporte técnico.
Assessores do governo classificaram o "tarifaço" como uma medida ideológica e política. A avaliação é de que a administração Trump agiu de má-fé ao propagar a informação de que não houve negociações, visando alinhar o discurso ao de Flávio Bolsonaro (PL). O senador, que se reuniu com Trump recentemente, afirmou que a falta de acordo ocorreu porque Lula teria trabalhado contra os interesses do Brasil.