Estados Unidos confirmam aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros
Os Estados Unidos aplicaram tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, justificando a medida por entraves ao comércio americano, questões de propriedade intelectual e desmatamento na Amazônia. O governo dos EUA também citou a falta de reciprocidade no setor de etanol e a regulação do PIX
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Os Estados Unidos confirmaram a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada na noite de quarta-feira (15), é justificada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) como uma resposta a práticas brasileiras que, segundo o órgão, prejudicam empresas americanas e restringem o acesso de exportadores dos EUA ao mercado nacional há décadas.
Justificativas técnicas e comerciais
O USTR detalhou que a sobretaxa não se baseia no superávit comercial bilateral, mas em pontos específicos considerados problemáticos. Entre os principais fatores estão:
- Etanol: Washington alega falta de reciprocidade nas condições preferenciais. As exportações de etanol dos EUA para o Brasil recuaram de US$ 761 milhões em 2018 para US$ 96 milhões em 2025.
- Sistema PIX: O governo americano questiona o fato de o Banco Central atuar como regulador e operador do sistema, argumentando que a gratuidade para pessoas físicas e a limitação de tarifas para empresas criam desigualdades para competidores financeiros privados dos EUA.
- Propriedade Intelectual: O Brasil integra desde 2007 a "Watch List" do relatório Special 301, que monitora falhas na proteção de patentes, marcas e direitos autorais.
- Acordos Tarifários: A denúncia de que o Brasil concede tratamento preferencial a países como México e Índia em centenas de produtos, com alíquotas menores do que as aplicadas aos EUA.
- Meio Ambiente: O desmatamento ilegal na Amazônia é citado como fator que reduz os preços internacionais da madeira, prejudicando a indústria madeireira americana. O órgão também mencionou a redução de incentivos governamentais no combate ao desmatamento.
- Serviços Digitais: Críticas a decisões judiciais brasileiras que resultaram na remoção de conteúdos e suspensão de contas em plataformas como Google, Meta e X.
Tensões diplomáticas e políticas
Paralelamente ao anúncio técnico, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, utilizou as redes sociais na quinta-feira (16) para criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Rubio afirmou que o brasileiro não agiu de boa-fé e teria colocado o próprio ego acima das tentativas de acordo entre as duas nações.
O governo brasileiro defende que a decisão possui um componente político. Lula já havia classificado Rubio como um "latino-americano frustrado" em junho, em resposta a ameaças anteriores de tarifas. Em conversa telefônica com Donald Trump, o presidente brasileiro chegou a solicitar que Rubio dialogasse com o Brasil sem preconceitos, apontando um desconhecimento do secretário sobre o país.
O histórico de atritos entre os dois inclui acusações de Rubio, feitas em 2023 quando era senador, de que Lula teria encobertado atividades criminosas de Nicolás Maduro e demonstrado falta de respeito à democracia ao se alinhar ao regime da China. Rubio também criticou a reunião de Lula com o chanceler russo durante a guerra na Ucrânia.
Tentativas de negociação
O governo do Brasil afirma ter buscado evitar o "tarifaço" por meio de diálogos com a gestão de Donald Trump. Entre as iniciativas, destacam-se:
- Reunião na Casa Branca entre Lula e Trump em maio de 2026 para discutir a agenda comercial.
- Encontro virtual posterior entre o Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa, e o Representante Comercial dos EUA.
- Participação de representantes brasileiros em audiências do USTR em julho.
Apesar dessas movimentações, o USTR negou que a sobretaxa tenha sido motivada por divergências políticas, classificando as conversas como cordiais. O órgão americano reiterou a disposição para negociar, mas alertou que eventuais retaliações comerciais por parte do Brasil poderiam gerar novas respostas de Washington, embora não espere que o governo brasileiro adote tal medida.