Estados Unidos confirmam tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos aplicará uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho. A decisão decorre de uma investigação baseada na Lei de Comércio de 1974. Pesquisa Quaest indica que 51% dos entrevistados atribuem a sanção a Flávio Bolsonaro
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com vigência marcada para o dia 22 de julho. A medida, que inclui uma lista de itens isentos, é o desfecho de uma investigação comercial de um ano fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelo governo americano para combater barreiras comerciais externas.
Impacto político e narrativas
O senador Flávio Bolsonaro (PL) tenta atribuir a responsabilidade pelo "tarifaço" à incapacidade de negociação do governo do presidente Lula. O parlamentar utilizou as redes sociais para endossar a visão do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que classificou as políticas brasileiras como prejudiciais a ambos os países e acusou a gestão atual de não negociar de boa-fé.
Contudo, interlocutores do senador revelam que havia a expectativa de um adiamento da medida. Flávio Bolsonaro chegou a enviar uma carta ao governo dos Estados Unidos e manteve conversas com a equipe e com o próprio presidente Donald Trump. Caso a tarifa fosse suspensa, o senador pretendia assumir o crédito pela articulação.
Percepção pública e dados de opinião
Apesar dos esforços de divulgação do senador, a percepção do eleitorado, conforme levantamento do instituto Quaest, diverge de sua narrativa:
- Motivação da medida: 51% dos entrevistados acreditam que Flávio Bolsonaro motivou a sanção ao solicitá-la a Trump, enquanto 30% concordam com a versão de que a culpa seria de Lula.
- Causa das tarifas: 49% concordam com a tese de que a medida é uma retaliação ao Pix, contra 33% que aceitam o argumento de que as tarifas respondem a declarações do presidente brasileiro contra os EUA.
Os dados indicam um crescimento na aceitação da versão do governo federal, já que, em junho, a diferença sobre a motivação era de 46% contra 36%. Internamente, aliados de Flávio Bolsonaro admitem que o tema gera desgaste político e preferem que a pauta perca visibilidade, embora a tendência seja que o assunto continue sendo explorado pela equipe de Lula durante a campanha.