Estados Unidos definem em breve aplicação de novas tarifas sobre importações de produtos brasileiros
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos definirá em breve a aplicação de tarifas de 25% e 12,5% sobre importações brasileiras. A medida, proposta por Donald Trump, motivou audiências públicas com diversos setores produtivos e monitoramento do Itamaraty. No primeiro quinquênio de 2026, a participação americana no comércio brasileiro caiu para 11,2%
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Jamieson Greer, representante do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, indicou nesta quinta-feira (9) que a definição sobre a aplicação de novas tarifas às importações brasileiras ocorrerá em breve, embora ressalte que Brasil e EUA ainda não chegaram a um consenso.
A medida segue a proposta de Donald Trump, feita em 1º de junho, de impor alíquotas de 25% sobre mercadorias do Brasil após investigações sobre pirataria, desmatamento ilegal e o sistema PIX. No dia seguinte, foram anunciadas taxas extras de 12,5% para 60 nações, incluindo a brasileira, devido a falhas no combate ao trabalho forçado. Para mitigar a alta de preços no mercado interno americano, foi elaborada uma extensa lista de exceções em ambos os casos.
O processo entrou em fase de audiências públicas na segunda-feira (6), via USTR, com a participação de interessados inscritos. O debate envolveu setores como papel, madeira, rochas ornamentais, ferro-gusa, etanol de milho, açúcar, arroz, café, mel, calçados e propriedade intelectual, com a presença de associações do Brasil e dos Estados Unidos. Paralelamente, o Itamaraty monitora a posição de mais de 40 empresas e entidades americanas contrárias ao aumento tarifário.
Os dados comerciais refletem um recuo na relação bilateral: nos cinco primeiros meses de 2026, a participação dos EUA no comércio total brasileiro atingiu o nível histórico mais baixo, com 11,2%. No mesmo intervalo, as importações do Brasil vindas dos Estados Unidos caíram 11%. Abrão Neto, presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), afirma que a taxação prejudica o setor produtivo e os consumidores americanos, além de retirar a competitividade das exportações brasileiras.
A perspectiva é que novas tarifas sejam inevitáveis, embora o alcance possa ser ajustado para minimizar danos à economia dos EUA. Um ponto central da argumentação é que o encarecimento de produtos brasileiros pode elevar a dependência das cadeias produtivas americanas de insumos da China, contrariando a estratégia comercial da gestão Trump.