Estados Unidos e Irã firmam acordo preliminar para a reabertura do Estreito de Ormuz
Estados Unidos e Irã assinaram acordo preliminar para encerrar conflito e reabrir o Estreito de Ormuz. A normalização da navegação depende da remoção de minas navais, processo estimado em seis meses. O pacto enfrenta impasses sobre a cobrança de taxas de passagem e a situação de tripulações retidas
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Estados Unidos e Irã firmaram um acordo preliminar neste domingo (14) para encerrar o conflito entre as duas nações, com a reabertura do Estreito de Ormuz como ponto central. A via é estratégica para a economia global, pois por ela transita um quinto do suprimento mundial de petróleo. Embora o anúncio tenha gerado entusiasmo nos mercados financeiros, a retomada plena das atividades comerciais enfrenta barreiras operacionais, financeiras e diplomáticas.
A navegação segura depende, primeiramente, da remoção de minas navais instaladas pelo Irã. A Kpler, empresa de análise de logística marítima, estima que esse processo de limpeza leve seis meses, utilizando navios varredores e drones submarinos. A Alemanha condicionou sua participação em missões de desminagem à confirmação da cessação dos combates e ao apoio mútuo de Washington e Teerã. França, Reino Unido e Itália também já manifestaram disposição para apoiar a operação em caráter defensivo.
O impacto financeiro imediato recai sobre os seguros contra riscos de guerra. Atualmente, as taxas para transitar pelo Estreito de Ormuz variam entre 1% e 4% do valor da embarcação, contra menos de 0,1% no período anterior ao conflito. Para um petroleiro de 200 milhões de dólares, o custo adicional por travessia oscila entre 2 milhões e 8 milhões de dólares, superando significativamente os 200 mil dólares pagos anteriormente.
A logística de transporte também apresenta gargalos críticos. No Golfo Pérsico, 300 navios carregados e 250 vazios aguardam a reabertura da via, enquanto outros 300 petroleiros vazios estão posicionados no Golfo de Omã. A Organização Marítima Internacional aponta que 20 mil marinheiros permanecem retidos nessas embarcações, com um saldo de 14 mortos em ataques, a maioria de origem indiana. Em resposta, a Diretoria Geral de Navegação da Índia restringiu o envio de tripulações para áreas de conflito.
No setor de energia, a retomada da produção de petróleo e gás pelos países árabes do Golfo deve ser gradual, dependendo de reparos na infraestrutura e inspeções de segurança. Alguns produtores, que interromperam a extração por falta de armazenamento, exigem a garantia de um cessar-fogo superior a 60 dias para reiniciar as atividades. O fluxo de gás natural terá recuperação mais lenta, especialmente devido aos danos no terminal de Ras Laffan, no Catar, que perdeu cerca de 17% de sua capacidade de exportação por um período estimado em vários anos.
Persistem divergências jurídicas e diplomáticas sobre a gestão do Estreito. O Irã reivindica a cobrança de taxas de serviço para a passagem de navios, enquanto Donald Trump afirmou que a abertura ocorreria sem pedágios. O pagamento de tais tarifas colocaria armadores e bancos em risco de sanções, já que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, responsável pelas cobranças, é classificado como organização terrorista pelos EUA e União Europeia. Além disso, o controle iraniano sobre a via contraria a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que prevê a liberdade de navegação.
A estabilidade do acordo é considerada frágil por se tratar de um esboço preliminar. Questões como o programa nuclear iraniano, o alívio de sanções econômicas e o apoio de Teerã ao Hezbollah e aos houthis permanecem sem resolução. O cenário é agravado pelo fato de Israel não estar vinculado ao pacto, apesar de alegações iranianas de que o acordo incluiria o conflito no Líbano.