Economia

Estados Unidos impõem tarifa de 25% sobre a maioria dos produtos importados do Brasil

16 de Julho de 2026 às 12:08

Os Estados Unidos aplicaram, nesta quarta-feira (15), uma tarifa de 25% sobre a maioria dos produtos brasileiros, exceto itens como carne bovina, café e suco de laranja. O governo federal acionará a OMC e utilizará a Lei da Reciprocidade e o Plano Brasil Soberano como resposta

Estados Unidos impõem tarifa de 25% sobre a maioria dos produtos importados do Brasil
Montagem - Arte/g1

Os Estados Unidos implementaram, nesta quarta-feira (15), uma tarifa de 25% sobre a maioria dos produtos brasileiros importados. A medida foi oficializada pelo governo de Donald Trump após investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

A cobrança incidirá sobre a maior parte das exportações brasileiras, com exceção de itens específicos como carne bovina, café, suco de laranja, componentes aeronáuticos e determinados produtos energéticos.

Justificativas e Contestações

A Casa Branca fundamenta a decisão em supostas práticas comerciais desleais do Brasil, citando questões relacionadas ao combate à corrupção, meio ambiente, propriedade intelectual e comércio digital.

O governo brasileiro nega as acusações e afirma ter apresentado evidências para refutar cada ponto durante as tratativas. Entre os temas contestados pelo Planalto estão a regulação de plataformas digitais, o sistema Pix e as ações de combate ao desmatamento.

Reações Políticas e Medidas Econômicas

O presidente Lula classificou a ação como um marco negativo nas relações bilaterais e afirmou que medidas unilaterais são injustificáveis. Como resposta, o governo federal adotará as seguintes providências:

  • Acionamento dos mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC);
  • Início dos procedimentos baseados na Lei da Reciprocidade;
  • Implementação de medidas de proteção aos setores impactados por meio do Plano Brasil Soberano.

Lula atribuiu a agravamento da disputa comercial à família Bolsonaro. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro defendeu a tese do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, de que a tarifa é resultado da falta de negociação do governo brasileiro. O senador, que havia viajado aos Estados Unidos para sugerir a suspensão da cobrança até após as eleições brasileiras, criticou a gestão atual.

Impactos Setoriais e Críticas

Ronaldo Caiado alertou que a taxação pode levar ao fechamento de empresas, endividamento de produtores e aumento do desemprego, afetando diretamente os serviços digitais, o agronegócio e a indústria. O pré-candidato criticou a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, afirmando que esse cenário prejudica a economia nacional.

Romeu Zema condenou a retaliação americana, argumentando que a medida desrespeita os vínculos históricos entre as nações. Embora tenha criticado a condução das negociações pelo Planalto, Zema afirmou que falhas governamentais não justificam a imposição tarifária.

Até o momento, Renan Santos não se manifestou sobre o tema.

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