Estados Unidos impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e colocam país como segunda nação mais taxada
Os Estados Unidos aplicarão uma tarifa de 25% sobre exportações brasileiras de US$ 14,9 bilhões a partir de 22 de julho. A medida torna o Brasil a segunda nação mais taxada pelo governo de Donald Trump, atrás apenas da China
A imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos coloca o Brasil como a segunda nação mais taxada pelo governo de Donald Trump, superada apenas pela China. A medida, com previsão de entrada em vigor para 22 de julho, incide sobre exportações que somam aproximadamente US$ 14,9 bilhões.
Embora o impacto direto seja limitado devido a isenções, como as da Seção 232, a movimentação sinaliza uma contestação estrutural na relação bilateral, visto que esta é a segunda tentativa de Trump de utilizar tarifas como alavancagem em 13 meses. O efeito mais complexo reside na influência sobre o investimento estrangeiro direto e no cenário político interno.
Impacto eleitoral e risco fiscal
A dinâmica econômica deve influenciar a corrida presidencial de outubro. Enquanto a narrativa de soberania nacional pode favorecer o atual governo, a aprovação de Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta pressão devido ao crescimento econômico fraco e ao custo de vida. Por outro lado, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia gerar pressões por concessões rápidas em regulação digital e plataformas tecnológicas para a retirada das tarifas.
No campo financeiro, a tese de Ruchir Sharma, chairman da Rockefeller International, indica que investidores historicamente obtêm retornos maiores sob governos de direita na América Latina. Dados apontam que, nos primeiros dois anos de gestão, o retorno em dólares tende a ser de 37% para governos de direita, contra 16% em governos de esquerda.
Nesse contexto, a reação inicial do mercado a uma vitória de Flávio Bolsonaro seria provavelmente positiva, embora a sustentabilidade dependa de políticas concretas. Já uma reeleição de Lula poderia gerar uma resposta inicial negativa dos investidores, dada a delicada situação fiscal do país e a maior atenção global ao endividamento público.
Potencial de crescimento e dependência da China
O Brasil apresenta indicadores favoráveis para os próximos cinco anos, impulsionados pelo ciclo de commodities e sua relevância no mercado global de petróleo. No setor tecnológico, o país concentra mais de 40% do investimento em tecnologia da América Latina, com mais de 20 unicórnios e um investimento em pesquisa e desenvolvimento de cerca de 1,2% do PIB. A abundância de energia também posiciona o país para a construção de data centers e ecossistemas de inteligência artificial (IA).
Contudo, a dependência comercial da China é vista como um risco. A economia chinesa apresenta fragilidades estruturais, como:
* Declínio demográfico: População em queda, dificultando a manutenção do crescimento acima de 2%.
* Endividamento: Altos níveis de dívida para sustentar o crescimento.
* Intervencionismo: Incerteza regulatória que sufoca o empreendedorismo.
* Fuga de capital: Baixa proporção de estrangeiros residentes (0,1%) e saída líquida de capital.
A estratégia chinesa de exportar a capacidade excedente, devido à fraqueza da demanda doméstica, contraria as necessidades de desenvolvimento do Brasil.
Panorama global: IA e conflitos geopolíticos
A economia global tem absorvido os choques das guerras na Ucrânia e no Estreito de Ormuz, em parte devido ao impulso da inteligência artificial e à produção de petróleo brasileira, que mitigou a queda da oferta global.
O investimento global em infraestrutura de IA chega a US$ 2,5 trilhões este ano (cerca de 2% do PIB global), com as gigantes tecnológicas americanas aportando US$ 800 bilhões. Apesar do poder da tecnologia, há sinais de bolha financeira baseados em sobrevalorização, concentração excessiva, sobreendividamento e sobreinvestimento.
O catalisador para a correção desse mercado seria a alta das taxas de juros; especificamente, se o título de dez anos do Tesouro americano ultrapassar os 5%, o cenário indicaria um risco iminente de estouro da bolha.